Luís Soveral Varella
Genealogia
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Correia de Lacerda
1. Pedro Correia, com quem Alão de Moraes inicia o seu título de «Correia de Lacerda», nasceu cerca de 1505. Foi cavaleiro do hábito de São João de Malta e comendador da Amieira. O mesmo autor não o filia. Manso de Lima e Felgueiras Gayo por seu lado não hesitam em o filiar nesta família e dá-lo como filho bastardo de frei Paio Correia (II), governador do Crato e bailio de Arce, por sua vez filho de outro frei Paio Correia (I), nascido cerca de 1422, bailio de Leça e cavaleiro da Ordem de Malta. Esta filiação no entanto não parece provável pelo facto do apelido Correia de Lacerda usado por seus descendentes parecer, para já, vir do casamento de Diogo Correia, nascido por volta de 1465 (sobrinho do bailio de Leça e primo co-irmão do bailio de Arce) com D. Isabel Pinheiro (que as genealogias tradicionais trazem como D. Isabel Pereira de Lacerda), nascida cerca de 1490. Mas os laços familiares são inequívocos, como reforça esta ideia a ligação quer de Pedro Correia quer de frei Paio Correia (II) à Amieira, como se comprova pela carta datada de 18.6.1502 em que D. Manuel legitima Guiomar filha de frei Paio Correia, já falecido à data, havida em Branca Pires, viúva e moradora na Amieira, a pedido da mãe (TT – chancelaria de D. Manuel L.6 fl.242). Esta filha de frei Paio Correia (II) é a que Felgueiras Gayo refere dando-a casada com Nuno Cardoso. Não sendo provável que Pedro Correia fosse filho bastardo de frei Paio Correia (II), e dado o uso pelos seus descendentes do apelido Correia de Lacerda, parece mais provável que fosse filho de Diogo Correia, alcaide-mor de Porto de Mós, e de sua mulher D. Isabel Pinheiro, acima referidos (irmã de Francisco Lobo Pinheiro referido em «Coelho de Melo, de Odemira», do autor disponível em http://luissoveral.com.sapo.pt/Coelho%20de%20Melo%20de%20Odemira.htm). Seria assim neto paterno de Gonçalo Correia, nascido cerca de 1420 e falecido em 1480, fidalgo da Casa do duque de Bragança, senhor da honra de Fralães, meirinho-mor da comarca de Entre-Douro-e-Minho por nomeação de 21.10.1475 de D. Afonso V e até 28.3.1480, data em eu o mesmo Rei nomeia para o mesmo lugar Diogo de Vera, escudeiro da sua Casa, com o mantimento ordenado, por sua morte, e de sua mulher (segundo Alão de Moraes), Margarida do Prado (filha de Bartolomeu Afonso do Prado e sua mulher Maria Esteves, moradores no Porto, ou de João Afonso do Prado e sua mulher Beatriz Pimenta, como também se diz na «Coreografia Portuguesa»); e neto materno de Álvaro Pinheiro Lobo, o Velho, alcaide-mor de Barcelos e senhor do morgadio de Pouve, e de sua mulher D. Joana Pereira de Lacerda. Gonçalo Correia era filho de outro do mesmo nome, nascido cerca de 1384, senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e de São Pedro do Monte e dos casais de Vila Meã, com suas jurisdições (ou seja, Fralães), confirmado por morte de seu pai Fernando Afonso Correa, a 4.12.1433 e de 20.7.1449, a quem sucedeu também como senhor de juro e herdade de Riba de Mouro e de Valadares, tendo trocado esta última por Cunha-a-Velha e Casais, e a quem foi confirmado a 9.12.1449 o escambo que fizera com este rei a 22.12.1411 das terras de Cunha-a-Velha e Casais, no almoxarifado de Guimarães, pela terra de Valadares, no almoxarifado de Ponte de Lima, o que já lhe fora confirmado por D. Duarte a 21.11.1433, e de sua mulher, com quem casou por volta de 1419 Branca Rodrigues Botelho, segundo referem Alão de Moraes e a «Chorografia Portugueza» (vide Manuel Abranches de Soveral - Ensaio sobre a Origem dos Correa, Senhores de Fralães, disponível on-line em http://pwp.netcabo.pt/0437301501/mas/Correia.htm). D. Joana Pereira de Lacerda era filha de Reimão Pereira, alcaide-mor de Arraiolos, e de sua mulher D. Isabel Pereira, documentados a viver em Portel em 1480 quando seu filho João Rodrigues Pereira tirou em Évora ordens de prima tonsura (Isaías da Rosa Pereira – Matrícula de Ordens da Diocese de Évora, 1480-1483), (filha de Gonçalo Cardoso «o velho de Taipa» e de sua mulher D. Maria Rodrigues Pereira), o qual Reimão Alão de Moraes dá como irmão de Rui Dias Pereira] e ambos filhos de Nuno Pereira, o que não é cronologicamente possível. De facto, Reimão Pereira, como pai de Manuel de Lacerda que esteve na conquista de Goa em 1510 e em 1512 era capitão e governador desta cidade, não devendo como tal ter nascido depois de 1464, tendo assumido o governo e capitania de Goa por volta dos 46 anos, e também de João Rodrigues Pereira, referido e nascido por volta de 1465, terá nascido por volta de 1430. Mas é também por esta data, ou um pouco antes, que nasce Nuno Pereira, fidalgo da casa do duque de Bragança em 1464, que Alão de Moraes dá como pai de Reimão e alcaide-mor de Fronteira. Este Nuno, que viveu em Serpa e foi casado com D. Guiomar da Silva, morgada de Baleizão, está documentado a 22.12.1455 quando recebe para si, seus irmãos e outros, carta de perdão para o tempo que lhes falta cumprir de um ano de degredo a que tinham sido condenados por terem estado envolvidos num grave conflito em Serpa com João de Mello e os seus, de que resultaram várias mortes e mais de uma vintena de cartas de perdão a 26.2.1452 para escudeiros, criados e apaniguados seus (e de seu irmão Rui Dias de Serpa, fidalgo da Casa Real, também morador nesta vila). Nuno Pereira não poderia pois ser o pai de Reimão, mas sim seu irmão. Deste modo, Rui Dias Pereira não era irmão de Reimão Pereira mas sim seu sobrinho. Este Rui Dias Pereira, sendo escudeiro de Garcia de Melo, é referido na chancelaria de D. Afonso V a partir de 7.10.1475 quando o Rei o nomeia vitaliciamente para o cargo de juiz perante os mouros e judeus da dita vila, e nas disputas que tiverem com cristãos da vila de Serpa, e estes com eles, a 22 do mesmo mês e ano lhe perdoa a justiça régia por estar acusado da morte de Luís Esteves, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela e mediante o perdão das partes, referindo o documento instrumentos públicos de 15.7.1472 e 3.10.1474, e nesse mesmo dia o rei, estando em Zamora, o nomeia para o cargo de recebedor das sisas régias na dita vila, com mantimento de 2.000 reais, mediante determinadas condições, apesar de o cargo não ter existido até aí, e finalmente, a 3.11, ainda em Zamora, o nomeia para o cargo de juiz das sisas régia da vila de Serpa, em substituição de Rui da Fonseca). Por fim este Nuno Pereira era irmão de Rui Dias de Serpa, fidalgo da Casa Real, morador em Serpa quando a 22.12.1455 o Rei perdoa a estes dois irmãos e a um terceiro, Diogo Nunes, e ainda outros, todos moradores nesta vila, o tempo que lhes falta cumprir de um ano de degredo a que tinham sido condenados, estando ainda degradado a 6.3.1453 quando o Rei o privilegia isentando todos os seus homens de servir na guerra, em serviço régio ou de outrem, salvo com ele próprio e a quem a 23.5.1453, o Rei concede carta de privilégio para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores da comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana, a 28.8.1455 o privilegia coutando-lhe a seu pedido a quinta da Torre Velha, tal como a tivera seu avô e pai. Todos estes irmãos eram filhos de Diogo Nunes de Serpa, nascido cerca de 1400, morador em Serpa, segundo Alão de Moraes, que a 15.9.1454, sendo cavaleiro da Casa do Infante D. Fernando, recebe doação régia os bens que haviam sido dados a Rui Dias (seu filho), compensando-o com o serviço novo dos judeus de Estremoz, e senhor da quinta da Torre Velha onde deve ter vivido, e de sua mulher Beatriz [Gonçalves] de Abreu (filha de Gonçalo Anes de Abreu, senhor de juro e herdade de Castelo de Vide e de sua mulher Isabel Falconer); netos paternos de Martim Gonçalves, nascido cerca de 1375 e senhor da Torre Velha em Serpa, e de sua mulher D. Violante Álvares Pereira, filha de D. frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior da ordem do Hospital, havida em Iria Gonçalves do Carvalhal, filha não identificada por Sottomayor Pizarro nas suas «Linhagens Medievais Portuguesas», irmã inteira de D. Nuno Álvares Pereira, condestável de Portugal, 1º conde de Ourém, 3º conde de Arraiolos e 7º conde de Barcelos. A Martim Gonçalves, Alão de Moraes chama Martim Gonçalves de Lacerda e diz ser fidalgo castelhano que veio para Portugal por causa de um homicídio, e o prof. Doutor Luiz de Mello Vaz de São Payo defende ser filho de um Diogo Dias de Serpa, muito provavelmente senhor daquela quinta, e de uma Lacerda, possivelmente filha de um Martim Gonçalves (justificando assim o nome do neto) e de uma filha natural de D. Juan de la Cerda, nascido em 1327 e degolado em 1357, havida na sua amante judia Sol Martinez. De acordo com a «Miscelânea Histórica de Portugal», Lisboa, 1983, e com Thierry Le Hête - Les Comtes Palatins de Bourgogne, 1995, Martim Gonçalves efectivamente chamou-se Martim Gonçalves de Lacerda e era filho de Diogo Nunes de Serpa e de uma Lacerda, nascida por volta de 1345; neto paterno de Nuno de Serpa, nascido por volta de 1300; neto materno de D. Carlos de Lacerda conhecido por Carlos de Espanha, nascido cerca de 1320 e assassinado a mando do Rei Carlos II de Navarra a 6.1.1354, que foi conde de Angoulême, condestável de França e favorito do Rei João II de França; bisneto por este seu avô de D. Afonso de Lacerda, senhor de Lunel, e de sua mulher Isabelle d’Antoing, senhora de Épinoy; e por ele tetraneto dos Reis D. Afonso X de Castela e São Luís IX de França.Pedro Correia teve de mulher desconhecida, pelo menos um filho ilegítimo.1.1. Manuel Correia [de Lacerda], com quem se continua.
2. Manuel Correia [Lacerda], nasceu cerca de 1535. Casou com Branca de Figueiredo, filha do tesoureiro da especiaria da Casa da Índia, segundo Alão de Moraes, e que Felgueiras Gayo identifica como João de Figueiredo, tesoureiro da Casa da Índia, camareiro do duque D. Jorge de Lancastre e capitão na Índia.2.1. Pedro Correia de Lacerda, com quem se continua.
3. Pedro Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1560. Foi comendador da ordem de Cristo e capitão-mor das armadas do reino. A 1.3.1595 recebeu a fortaleza de Manar pelos serviços que fez na Índia onde foi ferido (Códice Cadaval e Códice Fronteira, Registo da Casa da Índia, D. Filipe I L.20 fl.51 nº1336). Casou com D. Isabel de Vilhena, filha de D. Brás Henriques e sua mulher D. Paula de Sousa; neta paterna de D. Fernando Henriques, 3º senhor das Alcáçovas, e de sua mulher D. Beatriz de Melo; bisneta de D. Henrique Henriques, 2º senhor das Alcáçovas, e de sua mulher D. Filipa de Noronha, donzela da Casa da Princesa D. Leonor; trisneta de D. Fernando Henriques, 1º senhor das Alcáçovas com todos os direitos e rendas por doação que lhe fez, por seu casamento, a Rainha D. Leonor, em nome de D. Afonso V por carta de 14.2.1439, e na qual o trata por «nosso tio, neto d’el-Rei D. Henrique de Castela», e de sua mulher D. Branca de Melo; 4ª neta de D. Fernando Henriques, nascido em 1365 e falecido em 1438, senhor de metade de Dueñas, por doação de sua irmã D. Leonor para casar com D. Leonor Sarmiento (que era meio-irmão por parte de seu pai de D. Alfonso Enríquez de Castilla, nascido a 18.10.1355 em Burgos e falecido a 27.8.1395 em Marans, conde de Noreña em 1373, senhor de Gijon, Atera e Ribera, etc.), e que é referido no testamento de seu pai, o Rei D. Enrique II de Castela, havido em D. Beatriz Fernandes de Angulo, senhora de Vila Franca, junto a Córdoba. Por sua bisavó D. Filipa de Noronha, era trisneta de João Gonçalves da Câmara e de sua mulher D. Maria (ou Mécia de Noronha); 4ª neta de João Gonçalves Zarco, que descobriu a ilha da Madeira, e de sua mulher D. Constança Rodrigues; 4ª neta (por D. Mécia) de D. João Henriques; 5ª neta de D. Diogo Henriques e de sua mulher D. Maria Beatriz de Guzmán (irmã do 1º duque de Medina-Sidonia e filha dos 2ºs condes de Niebla); e 6ª neta de D. Alfonso Enríquez de Castilla, nascido a 18.10.1355 em Burgos e falecido a 27.8.1395 em Marans, conde de Noreña em 1373, senhor de Gijon, Atera e Ribera, etc.), filho bastardo do Rei D. Enrique II de Castela, havido em D. Beatriz Fernandes de Angulo, senhora de Vila Franca, junto a Córdoba.3.1. Manuel Correia de Lacerda, com quem se continua.4. Manuel Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1585. Casou por volta de 1609 com sua prima D. Francisca de Aragão, já viúva de Lourenço de Brito, de quem teve dois filhos, Luís de Brito que foi degolado na Índia aquando da entrega de Ormuz, e D. Guiomar Manuel casada e sem descendência com Simão Guedes, 9º senhor de Murça). Era filha de D. Henrique Henriques, 4º senhor das Alcáçovas, e de sua mulher D. Maria Francisca de Aragão; neta paterna de D. Fernando Henriques, 3º senhor das Alcáçovas, e de sua mulher D. Beatriz de Melo, acima referidos; e neta materna de D. Jorge Manuel, comendador de São Vicente na ordem de Cristo e governador de São Jorge da Mina em 1551, e de sua mulher D. Leonor de Brito. Por seu avô D. Jorge Manuel, era bisneta de D. Nuno Manuel, senhor de Salvaterra de Magos, almotacé-mor do Rei D. Manuel I e alcaide-mor da Guarda, e de sua primeira mulher D. Leonor de Milán y Aragão, várias vezes descendente da Casa Real portuguesa, filha de D. Jaime de Milán e Borja, 1º conde de Albayda, e de sua mulher a condessa D. Leonor de Aragão, irmã inteira do 1º duque de Luna, e neta materna de D. Afonso de Aragão, 1º duque de Villahermosa (filho do Rei D. Jaime II de Aragão) e de Maria Junkers, não casados. D. Nuno Manoel era filho legitimado, pelo Rei D. Afonso V, em 1475, de D. João Manoel, falecido em 1476, dom frei, capelão-mor do Rei D. Afonso V, bispo titular de Tiberíades, 2º bispo de Ceuta nomeado a 20.7.1443, primaz de África a 14.7.1444, bispo da Guarda em 1458, administrador de Valença do Minho e de Olivença, etc., havido de Justa Rodrigues, nascida em Portalegre e falecida em 1514, o qual D. João Manuel, dado como iniciador desta linha pelas genealogias tradicionais que o fazem erradamente, como o provou Braamcamp Freire em «Brasões da Sala de Sintra», filho bastardo do Rei D. Duarte, havido de D. Joana Manuel de Vilhena de Vilhena.4.1. Francisco Correia de Lacerda, com quem se continua. 4.2. Manuel Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1615/20 e faleceu velho a 11.9.1712 na rua da Bemposta, freguesia dos Anjos em Lisboa, com testamento datado de 8.9.1712 aprovado na mesma data e foi sepultado no seu jazigo na freguesia de S. Pedro de Alcântara (TT – RGT, L. 132, nº 56 a fls. 143 v. a 145 v.). 4.3. D. Maria de Castro. Casou com Reimão Pereira, fidalgo da Casa Real e senhor do morgadio do Baleizão em Beja, e que pretendeu suceder na Casa de Bobadela, o que não lhe foi concedido, filho de Rui Dias Pereira, senhor do morgadio de Baleizão, e de sua mulher D. Leonor de Frias Pereira; neto paterno de Reimão Pereira, senhor do referido morgadio, e de sua mulher D. Branca Soares, cristã-nova. Com descendência nos senhores do morgadio de Baleizão, seguida por Gonçalo de Mello Guimarães – Principalidade Alentejana.
5. Francisco Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1610, morou na rua dos Mouros no Bairro Alto, freguesia da Encarnação em Lisboa e faleceu a 27.2.1682 (António de Portugal de Faria – Genealogia da Família Correia de Lacerda). Foi familiar do santo ofício por carta de 31.3.1642 (TT – HSO, letra F, m. 6, d. 239), secretário de estado do Rei D. Pedro II (António de Portugal de Faria – op. cit.). Teve o prazo de Alcântara foreiro à Sé de Lisboa e a quinta das Quartas no Lumiar, a casa rua dos Mouros, a quinta de Fonte da Prata na margem sul do Tejo e uma fazenda na vila da Amieira, priorado do Crato, todos os bens referidos no testamento de seu filho Manuel. Casou com D. Isabel Maria de Castro, filha de António Gonçalves da Câmara, comendador da ordem de Cristo, e de sua mulher D. Maria de Castro; neta paterna de Pedro Gonçalves da Câmara, caçador-mor do Rei D. Sebastião e comendador de Bobadela na ordem de Cristo, e de sua mulher D. Lourença de Faria (filha de Baltazar de Faria, almotacé-mor); e neta materna de Ambrósio de Aguiar Coutinho e de sua mulher D. Joana da Silva. Pedro Gonçalves da Câmara era filho de outro Pedro Gonçalves da Câmara e de sua mulher D. Margarida de Noronha; neto paterno de outro Pedro Gonçalves da Câmara irmão de D. Filipa de Noronha referida no nº anterior, e de sua mulher D. Joana de Eça, filha de João Fogaça e de sua mulher D. Maria de Eça, filha esta de D. Gaspar de Eça; e neto materno de D. Pedro de Noronha, senhor de Cadaval, e de sua mulher D. Violante da Silveira. Este D. Pedro de Noronha era filho de D. Martinho de Noronha, senhor de Cadaval, e de sua mulher D. Guiomar de Albuquerque; neto paterno de D. Pedro de Noronha, senhor de Cadaval, filho legitimado do arcebispo de Lisboa D. Pedro de Noronha por sua vez filho do conde de Gijon e de Noronha D. Afonso Henriques, referido no nº anterior, e de sua mulher a Infanta D. Isabel de Portugal, filha do Rei D. Fernando I de Portugal. D. Guiomar de Albuquerque era filha de Fernão de Albuquerque, senhor de Vila Verde. D. Violante da Silveira, que ficou acima, era filha de D. Francisco da Silveira e de sua mulher D. Margarida de Noronha; neta paterna de D. Fernando Henriques e de sua mulher D. Isabel de Melo referidos no nº anterior; e neta materna de D. João de Noronha «o Dentes» e de sua mulher D. Joana de Castro. Este D. João de Noronha era filho de D. Fernando de Noronha, 2º conde de Vila Real, e de sua mulher D. Beatriz de Meneses; neto paterno de D. Afonso Henriques, conde de Gijon e de Noronha e de sua mulher a Infanta D. Isabel de Portugal, acima referidos; e neto materno de D. Pedro de Meneses, 1º conde de Vila Real. Por fim, D. Joana de Castro que ficou casada com D. João de Noronha, era filha de D. Álvaro Pires de Castro e de sua mulher D. Isabel da Cunha, filha de D. Afonso de Cascais e de sua mulher D. Branca da Cunha, e neta paterna do Infante D. João de Eça, filho do Rei D. Pedro I e de D. Inês de Castro. 5.1. Manuel Correia de Lacerda, com quem se continua. 5.2. João Correia de Lacerda, foi morador na rua dos Mouros no Bairro Alto, freguesia da Encarnação em Lisboa onde vivia em 1673, familiar do santo ofício por carta de 29.10.1676 (TT – HSO, letra J, m.14 , d.393), teve carta padrão com tença de 50$000 rs efectivos pagos em um dos almoxarifados do reino a 25.9.1694 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 4, fl. 346 v.) e alvará da comenda de S. João de Abrantes na ordem de Cristo a 23.6.1692 (idem). Foi capitão de cavalos e depois mestre de campo e governador do castelo de Outão em Setúbal. Casou em 1683 ou depois com D. Luísa Maria de Fontoura, açafata da Rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, filha de Diogo Carneiro de Fontoura, familiar do santo ofício (irmão de Luís Carneiro Fontoura de Magalhães e de D. Luísa de Fontoura), porteiro da câmara do Rei D. Pedro II, e de sua mulher e prima D. Catarina de Fontoura. 5.2.1. D. Isabel Francisca Xavier de Castro. Casou duas vezes: a 1ª a 30.8.1704 com seu primo co-irmão Luís Francisco Correia de Lacerda, filho de Manuel Correia de Lacerda e de sua mulher D. Luísa Maria Antónia de Portugal Coronel de Sá e Meneses, e referido adiante, com descendência que aí se segue; casou 2ª vez em 1713 com D. Rodrigo de Lencastre, com descendência que segue em «A Descendência Portuguesa d’el-Rei D. João II» por Fernando de Castro da Silva Canedo. 5.3. Henrique Correia de Lacerda. Casou na Índia com D. Margarida de Morais, filha de Francisco de Sousa Falcão, secretário de estado, e de sua mulher D. Branca de Morais. Sem descendência (D. António Caetano de Sousa – HGCRP, tomo XI, págs. 266.). 5.4. António Gonçalves da Câmara. 5.5. D. Francisca de Aragão. Casou com Pedro de Sousa de Brito. 5.5.1. Manuel António de Sousa e Brito. Foi alcaide-mor de Arraiolos, comendador de Santa Maria de Antime, de Santa Maria de Rio Frio de Carregosa, e de Santa Eulália da Palmeira de Faro, todas na ordem de Cristo, donatário da Aldeia de Redemoinhos no termo de Estremoz, capitão de cavalos no Alentejo, e procurador da cidade de Braga às cortes de Lisboa em 1697. Casou em Lisboa com D. Joana Carrilho. Com descendência. 5.5.2. Francisco de Sousa da Câmara. Casou com D. Maria Antónia de Lemos, filha de Manuel de Andrade de Brito, alcaide-mor de Portel, e de D. Margarida de Lemos Castelo Branco. Com descendência.
6. Manuel Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1635 em Lisboa, como declara no seu testamento, foi morador junto ao convento de S. Pedro de Alcântara em Lisboa, faleceu a 16.1.1700 nesta cidade, com testamento datado de 6.1 e aprovado a 10.1, sendo sepultado no convento referido (TT – RGT, L. 113, fl. 11v. a 15 v., nº 6). Foi moço fidalgo da Casa Real a 20.11.1641 com 1$000 rs de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia (TT – RGM – vários Reis, L. 1, fl. 221 v), acrescentado de fidalgo escudeiro por herança de seu pai a 2.4.1693 (TT – RGM – D. Pedro II). Foi senhor de 6 morgadios junto com sua mulher, como declara no seu testamento de mão comum com sua mulher, 3 que deixa a seu filho primogénito Luís Francisco, um instituído por Carlos Nunes Velho, outro por Manuel Gomes de Elvas e outro por Luís Gomes Nunes, e os restantes, também de sua mulher, instituídos por Luís de Sá de Meneses deixa-os a seu filho José que herda ainda os bens livres do pai, o prazo de Alcântara foreiro à Sé de Lisboa e a quinta das Quartas no Lumiar. Deixa ainda em testamento a seu filho Luís Francisco os bens que lhe vieram por seu avô Francisco Correia de Lacerda, nomeadamente as casas na rua dos Mouros, a quinta de Fonte da Prata na margem sul do Tejo e uma fazenda na vila da Amieira, priorado do Crato que lhe deixou D. Francisca Coronel e Manuel Gomes de Elvas. Casou com sua parente D. Luísa Maria Antónia de Portugal Coronel de Sá e Meneses, que testou de mão comum com seu marido, e com codicilo testamentário, sendo já viúva, datado de 19.2.1707 onde é identificada como D. Luísa Maria Antónia de Portugal, e onde declara que tendo herdado de seu filho José, já falecido, os prazos de Alcântara e umas terras em Benavente, os deixa a seu filho Manuel. Neste seu codicilo reconhece ainda dois netos naturais, uma rapariga filha de seu filho Carlos e um rapaz filho de seu filho José que viviam em sua casa. Era filha de Luís Gomes de Sá e Meneses, como declara, ou Luís Gomes Coronel de Sá e Meneses «o Rato», morgado do Rato, em Lisboa, que deu o nome ao largo aí existente, e de sua mulher D. Maria Antónia de Portugal; neta paterna de Luís Nunes Coronel e de sua mulher D. Mariana Josefa da Silva (e não de Meneses, como consta de uma escritura realizada em Lisboa a 17.2.1666), trisneta do 1º conde de Vila Nova de Portimão e várias vezes descendente da Casa Real Portuguesa ; e neta materna de D. Madalena de Ataíde e de seu marido D. António de Almeida, falecido a 12.3.1627 em Lisboa, comendador de São Martinho na ordem de Cristo. D. Madalena de Ataíde era filha de D. Manuel Mascarenhas, senhor de Rosmaninhal, e de sua mulher D. Francisca de Ataíde; neta paterna de D. Fernando Mascarenhas, senhor de Rosmaninhal e de sua mulher D. Filipa da Silva (descendente dos senhores das Alcáçovas); e neta materna de D. Fradique Manuel, senhor de Tancos e de Atalaia (filho de D. Nuno Manuel, e de sua primeira mulher D. Leonor de Milán y Aragão, referidos no nº anterior), e de sua mulher D. Joana de Ataíde (filha de D. António de Ataíde, 1º conde de Castanheira e de sua mulher a condessa D. Joana de Távora, ambos várias vezes descendentes também da Casa Real). E D. António de Almeida, casado com D. Madalena de Ataíde era filho de D. Luís de Almeida, comendador da ordem de Cristo, e de sua mulher D. Maria de Portugal; neto paterno de D. António de Almeida (descendente do 1º conde de Abrantes e do 2º senhor das Alcáçovas), e de sua mulher D. Beatriz da Silva, ou Beatriz de Mendonça; e neto materno de D. Henrique de Portugal, comendador de Santa Maria de Pernes (neto paterno do 1º conde de Vimioso e terceiro neto dos 2ºs duques de Bragança, por uma linha, e quarto neto dos 1ºs duques de Bragança, por outra), e de sua mulher D. Ana de Ataíde, neta paterna do 1º conde da Castanheira, bisneta por sua avó materna também do 1º conde de Vimioso, e neta materna de D. Francisco da Gama, 2º conde da Vidigueira e filho de D. Vasco da Gama, o grande almirante, 1º almirante dos mares da Índia, 6º governador da Índia (1524), 2º vice-Rei da Índia (1524), 1º conde da Vidigueira (24.12.1499), senhor de Vidigueira e Vila de Frades, e descobridor do caminho marítimo para a Índia, nascido cerca de 1469 em Sines e falecido a 25.12.1524 em Cochim, na Índia. A questão do título e tratamento de Dom dos descendentes de Vasco da Gama Por carta de doação régia datada de 10.1.1502 feita em Lisboa, o Rei Dom Manuel I, autoriza Vasco da Gama a usar o título e tratamento de Dom, bem assim a seu irmão Aires da Gama, sua irmã Teresa da Gama e todos os seus descendentes (TT - chancelaria do Rei Dom Manuel I, L.4, fl.97). Querem alguns que esta mercê em si não alarga este privilégio a todos os seus descendentes, nomeadamente não o alarga aos descendentes com quebras de varonia. Alegam-no por exemplo, e certamente com as suas convicções, para mim mais do que razões, o Dr. Augusto Ferreira do Amaral, ilustre advogado, e também ele descendente de Dom Vasco da Gama, que defende que a interpretação que permite a extensão do tratamento de Dom a todos os descendentes de Vasco da Gama é uma interpretação laxativa, alegando nomeadamente que, segundo o próprio, o direito nobiliárquico vive muito mais da prática consensual do que da norma escrita, sendo que esta tem valor somente na medida em que, em tempo da monarquia, era secundada pela prática social, aplicando no caso concreto que os descendentes deste almirante com quebras de varonia nunca usaram este título ou tratamento. Acrescenta entretanto que, apenas uma interpretação sofística da fórmula «para si e seus descendentes» poderia permitir a aceitação desse uso. Prosseguindo, esta fórmula, aliás frequente em variados tipos de mercês régias, não afasta as normas por que se pauta a sucessão do direito ao tratamento de Dom, já que a fórmula pressupõe que são apenas os descendentes que, segundo aquelas normas (que fundamentalmente restringem a sucessão nesse direito aos descendentes por legítima varonia) têm, nos termos gerais, direito ao dito tratamento. Como tal, para ter dispensado de quebras de varonia, a mercê havia de tê-lo feito expressa e inequivocamente – o que não foi o caso. É uma interpretação. A qual respeito. Mas outras existem, nomeadamente os pareceres jurídicos a este propósito, datados de 1985, feitos por vários juristas de renome como o professor doutor Martim de Albuquerque, professor catedrático de direito, ex-presidente da comissão jurídica do conselho de nobreza, o professor doutor Pedro Soares Martinez, também professor catedrático de direito, e ainda Dom Luís de Lancastre e Távora, marquês de Abrantes, conhecido heraldista e genealogista, que defendem que de facto esta mercê se estende a todos os descendentes legítimos de Dom Vasco da Gama. Se por um lado não posso deixar de dar razão ao Dr. Augusto Ferreira do Amaral no que respeita ao facto de o direito nobiliárquico viver muito mais da prática consensual do que da norma escrita, terei de discordar no entanto da sua interpretação de «e todos os seus descendentes», pois esta não se restringe apenas aos descendentes por varonia. Se assim fora não faria sentido a referência a «e todos os seus descendentes», pois se a todos eles se não destinasse de facto, referiria certamente que de todos os seus descendentes se excluíam as linhas com quebra de varonia. Bastaria então a referência «para si e seus descendentes» permitindo a aplicação das referidas normas de sucessão neste título e tratamento, como o próprio refere – não é o caso. Ou seja, a necessidade de referência na referida mercê à dispensa de quebras de varonia não se põe. É precisamente o inverso. Se o espírito da mercê fosse excluir os descendentes com quebras de varonia, tê-lo-ia referido por certo – o que não foi o caso. E o fundamento para alegar este espírito contido na expressão na referida mercê encontra-se na referência expressa a Teresa da Gama, seguida de «e todos os seus descendentes» que inclui os de Vasco da Gama, Aires da Gama e Teresa da Gama. Doutro modo referiria Vasco da Gama «e todos os seus descendentes» seguido de seus irmãos Aires da Gama e Teresa da Gama – mais uma vez, não é o caso. Verifica-se assim que esta mercê conjunta ao alargar-se inicia uma linha com direito de sucessão no tratamento de Dom precisamente numa senhora. Não é pois razoável entender que se excluíam os descendentes por via feminina. Era por certo este o espírito da mesma.
E nesse
contexto, sabendo-se que a mercê não se extingue pelo seu não exercício, e sendo
claro que independentemente da prática consensual, esta não extingue a norma
escrita, resta pois, e independentemente do ex-conselho de nobreza não ter
aceite em tempo pretensão a autorização do uso deste título e tratamento por
outrem, procurar a legitimidade da aplicação actual da dita mercê. Os pareceres
acima referidos dirimem de vez esta questão do ponto de vista jurídico, e o
parecer do ex-conselho de nobreza vale o que vale e independentemente de não ter
aceite a dita pretensão, não é significante da legitimidade do uso ou não desse
tratamento, pois nunca teve competência para revogar uma mercê régia seja ela
com 100 seja com 750 anos.
Se ao que julgo
saber a prática corrente foi de facto a não sucessão neste título e tratamento
em todos os ramos descendentes do almirante com quebras de varonia, o seu não
uso pelos seus descendentes não invalida de forma alguma o espírito da mercê em
causa. E apenas encontro justificação para tal no facto das senhoras
descendentes do almirante terem casado durante muitas gerações com senhores com
o título e tratamento de Dom, e quando deixou em alguns ramos de acontecer, já
no séc. XVII, dada a tradição das Casas de onde vinham, os seus filhos não o
usaram. E o mais certo é que nem sequer tivessem conhecimento da mercê em causa,
pois não é de aceitar que os descendentes do almirante se tenham recusado
conscientemente a fazer uso da mercê régia. Quanto à prática consensual é questão que o tempo cuida. 6.1. Luís Francisco Correia de Lacerda, baptizado a 7.4.1659 na freguesia da Encarnação de Lisboa. Moço fidalgo da Casa Real a 7.3.1693 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 457), acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 22.4.1694 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458). Foi herdeiro de 3 dos 6 morgadios de seus pais e dos bens de seu avô nomeadamente as casas na rua dos Mouros, a quinta de Fonte da Prata na margem sul do Tejo e uma fazenda na vila da Amieira, priorado do Crato. Casou com sua prima D. Isabel Francisca Xavier de Castro, filha de João Correia de Lacerda e de sua mulher D. Luísa Maria de Fontoura, acima referida. 6.1.1. Manuel Joaquim Correia de Lacerda, nasceu a 18.5.1711. Foi moço fidalgo da Casa Real com 1$000 réis de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia a 1.12.1713 (TT – RGM – D. João V, L. 6, fl. 268) e fidalgo escudeiro da Casa Real com 1$280 réis de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia a 2.10.1713 (TT – RGM – D. João V, L. 6, fl. 268). Casou com D. Bernarda Gabriela de Vilhena e Sousa, nascida a 10.7.1705 em Guimarães, filha de Rodrigo de Sousa da Silva, senhor da Casa de Vila Pouca, mestre campo de auxiliares do Minho, e de sua mulher D. Isabel Francisca Marinho e Lobeira. 6.1.1.1. Luís José Correia de Lacerda, nasceu a 11.9.1728 em Lisboa. Foi moço fidalgo da Casa Real a 29.1.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v) e acrescentado a fidalgo escudeiro a 1.2.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v), teve carta de padrão de tença e hábito a 26.11.1770 (TT – RGM – D. José I, L. 1, fl. 420) e carta de sesmaria a 18.9.1770. Casou com D. Teresa Xavier de Lencastre (ver GeneaPortugal), com descendência. 6.1.1.2. João Correia de Lacerda, nasceu a 15.1.1731 no Porto. Foi moço fidalgo da Casa Real a 29.1.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v) e acrescentado a fidalgo escudeiro a 1.2.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v). 6.1.1.3. D. Ana Isabel de Portugal, nasceu a 28.7.1733. 6.1.1.4. D. Francisca Xavier de Castro, nasceu a 9.4.1735 no Porto. 6.1.1.5. José Correia de Lacerda, nasceu a 18.9.1736 no Porto. Foi moço fidalgo da Casa Real a 29.1.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v) e acrescentado a fidalgo escudeiro a 1.2.1738 (TT – RGM – D. João V, L. 29, fl. 174 v). 6.2. José Correia de Lacerda, baptizado a […] fl. 37 na freguesia da Encarnação em Lisboa já falecido em 1707. Moço fidalgo da Casa Real a 7.3.1693 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 457), acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 22.4.1694 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458). Testamenteiro de seus pais foi contemplado no seu testamento com 3 dos 6 morgadios e ainda dos bens livres do seu pai, nomeadamente o prazo de Alcântara foreiro à Sé de Lisboa e a quinta das Quartas no Lumiar, prazos esses que deixou a sua mãe. Teve de Ana de Sousa, criada de servir em Casa de seus pais um filho natural reconhecido por sua mãe D. Luís Maria de Portugal no seu codicilo testamentário. 6.2.1. [...] Correia de Lacerda, vivia em 1707 em casa da avó paterna. 6.3. Carlos Correia de Lacerda, baptizado a 28.11.1668 na freguesia da Encarnação de Lisboa tendo por padrinho o seu parente o conde de Avintes e D. Francisca de Ataíde e celebrando D. Veríssimo de Lencastre. Moço fidalgo da Casa Real a 7.3.1693 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458), acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 22.4.1694 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458). Foi testamenteiro de sua mãe nomeado no seu codicilo testamentário por morte prematura de seu irmão José. Teve filhos de Antónia Baptista de Sousa, criada de servir em sua casa, com quem ainda não era casado a 19.2.1707 quando sua mãe no seu codicilo testamentário reconhece como sua neta a sua filha D. Luísa então de 4 anos de idade, e com quem terá casado a 23.5.1707 na freguesia da Sé ou na das Mercês (António de Portugal de Faria – op. cit.), filha de Pedro Gonçalves de Sousa Jácome e de sua mulher Domingas das Neves. De acordo com o Rui Manuel del Negro Ferreira de Portugal, descendente de Carlos Correia de Lacerda e de Antónia Baptista de Sousa por via de sua filha D. Francisca de Portugal, eles terão efectivamente casado e na data e freguesia acima referidos, legitimando com o casamento os seus filhos. Não foi possível no entanto localizar ainda o seu assento de casamento. 6.3.1. D. Maria, baptizada a 18.12.1700 na freguesia da Encarnação em Lisboa deve ter morrido ainda criança pois não é referida no codicilo testamentário de sua avó paterna de 1707 ao contrário de sua irmã D. Luísa, nascida em 1703. Mas dado o facto de seu irmão José ter recebido a 16.4.1737 uma carta padrão de tença para sua irmã D. Maria é natural que tenha havido outra irmã com o mesmo nome. 6.3.2. D. Luísa, nasceu em 1703 em Lisboa sendo reconhecida como neta por sua avó paterna no seu codicilo testamentário de 1707 onde se diz que tem 4 anos de idade e que deverá ser tratada como tal até atingir a idade suficiente para recolher ao convento da Cotovia. 6.3.3. João Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real com pensão em dinheiro e cevada a 16.6.1719 (TT – RGM – D. João V, L. 10, fl. 514) acrescentado a fidalgo escudeiro a 17.6.1719 (TT – RGM – D. João V, L. 10, fl. 514). É erradamente dado como pai de Manuel Correia de Lacerda governador de Timor por Jorge Forjaz em «Famílias Macaenses», no título de Correia de Lacerda por confusão deste Manuel Correia de Lacerda com outro homónimo e filho deste João Correia de Lacerda. Casou com D. Ângela Maria de Macedo filha de Manuel Macedo Velho, escrivão do crime, irmão do desembargador dr. António de Macedo Velho (Felgueiras Gayo – Famílias de Portugal, título de Correias, § 106). 6.3.3.1. Carlos Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 18.1.1739 acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 10.2.1739 (TT – RGM – D. João V, L. 20, fl. 162) e fidalgo cavaleiro da Casa Real a 30.8.1743 (TT – RGM – D. João V, L. 37, fl. 426 v). 6.3.3.2. Pedro Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 18.1.1739 acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 10.2.1739 (TT – RGM – D. João V, L. 20, fl. 162). 6.3.3.3. José Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 18.1.1739 acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 10.2.1739 (TT – RGM – D. João V, L. 20, fl. 162 v). 6.3.3.4. Manuel Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 18.1.1739 acrescentado de fidalgo escudeiro da Casa Real a 10.2.1739 (TT – RGM – D. João V, L. 20, fl. 162 v), fidalgo capelão da Casa Real a 30.8.1743 (TT – RGM – L. 33, fl. 426 v), e freire conventual de Palmela na qualidade em que recebe hábito para a ordem de Santiago (TT – Chancelaria da ordem de Santiago. É erradamente dado como o que foi governador de Timor e casado com descendência em Macau em Famílias Macaenses (Jorge Forjaz – op. cit.) no título de Correia de Lacerda por confusão com seu tio-avô paterno homónimo referido no nº 4. 6.3.4. José Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 24.11.1722 (TT – RGM – D. João V, L. 14, fl. 275), acrescentado a escudeiro fidalgo a 25.11.1722 (TT – RGM – D. João V, L. 14, fl. 275), teve carta de padrão de tença de 38$000 réis para sua irmã D. Maria de Portugal a 16.4.1737 (TT – RGM – D. João V, L. 14, fl. 275). 6.3.5. Pedro Correia de Lacerda, moço fidalgo da Casa Real a 24.11.1722 (TT – RGM – D. João V, L. 14, fl. 275 v). 6.3.6. D. Francisca de Portugal, baptizada em Lisboa, Mercês a 11.8.1707 e falecida a 13.2.1776 na mesma cidade, em Santa Engrácia. Casou com D. Luís Tomé da Silveira, filho de D. Brás Baltazar da Silveira e de Maria Antónia de Melo, com quem não era casado. Com descendência. 6.4. António de Lacerda, faleceu a 20.8.1710. Foi frei conventual no convento de Santa Clara, também referido no testamento de seus pais. 6.5. Manuel Correia de Lacerda, com quem se continua. 6.6. D. Inácia, baptizada na freguesia da Encarnação em Lisboa (ver livro que acaba em 1684, rolo 1001, fl. 95), deve ter morrido ainda criança mas garantidamente antes de 1700 pois não é referida no testamento de seus pais. 6.7. D. Isabel Brázia de Portugal, baptizada na freguesia da Encarnação em Lisboa, referida no testamento de seus pais onde se diz que em 1700 era casada com Romão Pereira de Lacerda. Gonçalo de Mello Guimarães em «Principalidade Alentejana» trá-la casada com seu primo Rui Dias Pereira, dizendo-o filho de Manuel Correia de Lacerda e de sua mulher D. Luís Maria de Portugal, o que evidentemente um erro pois ela é que era filha deste casal. 6.8. D. Maria de Portugal, baptizada a 1.2.1660 na freguesia da Encarnação em Lisboa tendo por padrinho D. Henrique Henriques e faleceu a 30.3.1732. Freira no convento de Odivelas, referida no testamento de seus pais. Foi uma excelente cantora. 6.9. D. Margarida de Portugal freira no convento de Odivelas, referida no testamento de seus pais. 6.10. D. Francisca de Portugal, referida no testamento de seus pais sendo em 1700 moradora em sua casa. Chamou-se Francisca Joana de Portugal e casou com Fernão de Lima Brandão, filho herdeiro de José de Lima Brandão havido em D. Teresa Gerarda de Sá. 6.10.1. José Joaquim Francisco de Lima Brandão e Alcáçova, nasceu a 25.9.1711. Casou com D. Joana Xavier de Brito do Rio, filha herdeira de Luís de Brito do Rio e de sua mulher D. Bernarda Luísa Coutinho. 6.10.2. D. Martinho António de Portugal, nasceu a 7.4.1713. Faleceu sem descendência. 6.11. D. Teresa de Portugal, referida no testamento de seus pais sendo em 1700 moradora em sua casa.
7. Manuel Correia de Lacerda, nasceu em Lisboa, foi baptizado a 21.6.1679 na freguesia da Encarnação desta cidade tendo por padrinho D. João de Lencastre, e morreu em 1751 em Timor. D. António Caetano de Sousa na sua «História Genealógica da Casa Real Portuguesa» refere-o como tendo morrido sem estado tal como outro seu irmão, de nome Pedro, que não é referido no testamento da sua mãe. É certo que D. António Caetano de Sousa desconheceu por completo que Manuel Correia de Lacerda foi viver para Macau e para Timor onde acabou por morrer. Foi moço fidalgo da Casa Real por alvará de 7.3.1693 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458) acrescentado a fidalgo escudeiro da Casa Real a 22.4.1693 (TT – RGM – D. Pedro II, L. 7, fl. 458). Referido no testamento de seus pais e contemplado no codicilo testamentário de sua Mãe a 19.2.1707, onde é referido como capitão, com os prazos de Alcântara e de umas terras em Benavente que foram de seu irmão José entretanto falecido. Antes de 1726 embarca para Macau, provavelmente depois de ter estado na Índia, onde neste ano enviúva do primeiro casamento. Em 1732 é eleito juiz ordinário da câmara de Macau, em 1744 vereador do Leal Senado, em 1748 é nomeado governador de Timor onde vem a morrer no exercício do cargo. Embora tivesse direito ao uso e tratamento de Dom, de acordo com a mercê régia de D. Manuel I datada de 1502 e acima referida, nunca o usou, tal como todos os seus irmãos, quebrando-se neles, nesta linha o uso deste tratamento e título. Casou duas vezes: a 1ª com D. Catarina de Mendonça Furtado (a), falecida em 1726 na freguesia da Sé em Macau, sem descendência; casou 2ª vez em Novembro de 1728 em Macau, Sé, com Joana de Abreu de Sampaio (b), nascida a 17.6.1702 em Macau, Sé, filha de João de Abreu de Sampaio e de sua mulher Antónia Gomes Pereira. (b) (Jorge Forjaz – op. cit., vol. I, Correia de Lacerda, § 1º). 7.1. Henrique Correia de Lacerda, com quem se continua. 7.2. José Correia de Lacerda, nasceu a 19.10.1738 em Macau e foi baptizado a 27 na igreja de São Lourenço tendo por padrinhos Manuel Vicente Rosa e Luísa Caldeira do Rego (AHU – Macau – caixa 22, nº 37, conforme certidão passada a 28.12.1802). Foi reverendo padre, comissário do santo ofício em todo o distrito de Macau e da bula de Santa Cruz deão da Sé de Macau de que recebeu carta de apresentação a 13.2.1786 (AHU – Macau – caixa 22, nº 37, conforme certidão passada a 28.12.1802).
8. Henrique Correia de Lacerda, nasceu cerca de 1729 em Macau já que em 1749 era já casado e Pai. Foi escrivão da câmara de Macau nomeado a 29.3.1758 (AHU – Macau). Casou duas vezes: a 1ª com Agostinha Martins (a), filha de Simão Botelho e Lourença Martins; a 2ª a [...].11.1774 em Macau com Luísa Suriano Jorge da Silva (b), (surge geralmente como Luísa Suriano e como Luísa Jorge da Silva no seu assento de óbito), nascida cerca de 1745/50 e falecida a 30.10.1788 em Macau, São Lourenço em Macau, filha de Pais incógnitos. 8.1. Manuel António Correia de Lacerda, nasceu a 14.6.1749 em Macau. 8.2. Joana Maria Correia de Lacerda, nasceu a 14.8.1751 em Macau, Sé. Casou em 1773 com Joaquim Maria Machado de Mendonça, de quem foi a primeira mulher, baptizado a 19.11.1746 em Lisboa, Pena, e falecido a 14.4.1808 em Macau, Sé, cavaleiro professo na ordem de Cristo (30.3.1768), filho natural de Jorge Francisco Machado de Mendonça Eça Castro e Vasconcelos e de Antónia Joaquina Gorjão Leite. 8.2.1. João Machado de Mendonça, nasceu cerca de 1773 em Macau, onde faleceu a 30.12.1840 na Sé. Foi sargento-mor (major) comandante do batalhão Príncipe Regente, comandante do forte da barra de Macau e cavaleiro da ordem de São Bento de Aviz. Casou com Ana Maria dos Remédios. Com descendência seguida por Jorge Forjaz - «Famílias Macaenses». 8.2.2. Rita Maria Machado de Mendonça, nasceu a 26.9.1775 em Macau, São Lourenço. 8.2.3. Joaquim Machado de Mendonça. Casou e teve descendência. 8.3. Agostinha Maria Correia de Lacerda, nasceu a 21.4.1759 em Macau, Sé. Casou com [...], com descendência. 8.4. Rita Correia de Lacerda, nasceu a 14.5.1762 em Macau. Casou com [...], com descendência. 8.5. Henrique Correia [de Lacerda], com quem se continua.
9. Henrique Correia, nasceu em 1775 em Macau, São Lourenço, onde viveu (monsenhor Manuel Teixeira). Casou cerca de 1804 em Macau com Clara Maria, certamente nascida em Macau e de quem se desconhece a filiação (Jorge Forjaz – op. cit., vol. III, título Rosa, § 11º). 9.1. Ana Antónia Correia, com quem se continua.
10. Ana Antónia Correia, nasceu cerca de 1805 em Macau. Casou com Julião João da Rosa, nascido em Macau cerca de 1790, de quem foi segunda mulher, filho de José da Rosa e de sua mulher Ana Maria Pereira, nascidos certamente em Macau por volta de 1760/65. Julião João da Rosa era já viúvo de Ana Apolinária Rodrigues com quem tinha casado a 27.11.1816 na freguesia de São Lourenço, Macau e de quem teve um filho e uma filha nascidos respectivamente em 1818 e 1819 de quem não há mais notícia. 10.1. Francisca Maria da Rosa, nasceu a 16.10.1834 na freguesia de São Lourenço, Macau. Casou a 30.7.1862 na freguesia da Sé da mesma cidade com Henrique Victor (ou Carlos) Constâncio Danenberg, nascido a 1.9.1838 na mesma freguesia, empregado do arsenal da marinha inglesa em Hong-Kong, filho de António Carlos Danenberg, de nacionalidade holandesa e de sua mulher Ana Joaquina Simões. 10.1.1. D. Ana Rita Danenberg, nascida em 1863 e falecida a 21.9.1921 na freguesia da Sé, Macau. Casou a 8.12.1893 na mesma freguesia com Pedro Avelino Correia de Sá, funcionário público. Sem descendência. 10.1.2. D. Laura Maria Danenberg, nasceu a 13.3.1870 em Hong-Kong e faleceu solteira a 3.6.1940 na mesma cidade. 10.1.3. D. Ana Antónia Danenberg, nasceu a 31.7.1872 em Hong-Kong. 10.2. Edeltrudes Guilhermina da Rosa, com quem se continua. 10.3. Elvira Júlia da Rosa, nasceu a 9.7.1836 na freguesia de São Lourenço, Macau. Casou a 8.1.1859 na freguesia da Sé da mesma cidade com Vicente Raguin Vieira Ribeiro, de quem foi a segunda de três mulheres, nascido em Macau e morador em Hong-Kong onde foi empregado comercial, filho de Rogério Vicente Ribeiro e de sua mulher Maria dos Anjos Dixon. 10.3.1. D. Maria José de Jesus Vieira Ribeiro, nasceu a 10.5.1868 na freguesia da Sé de Macau e faleceu em 1987 em San Francisco, Califórnia, Estados Unidos da América. Casou a 24.11.1894 na catedral de Hong-Kong com seu sobrinho Primo José Maria Rodrigues, nascido a 9.6.1871 na freguesia de Santo António e falecido a 19.1.1938 em Hong-Kong, funcionário da secretaria colonial desta cidade, filho de Joaquim António Maria Rodrigues e de sua mulher Guilhermina Laurência Vieira Ribeiro. Com descendência (Jorge Forjaz – op. cit., volume III, título Vieira Ribeiro). 10.4. Secundina Josefa da Rosa, nasceu a 12.9.1837 na freguesia de São Lourenço em Macau e faleceu a 27.9.1839. 10.5. Clara Maria da Rosa, nasceu a 16.10.1840 na freguesia de São Lourenço de Macau e foi, juntamente com seu marido, madrinha de baptismo de seu sobrinho Leopoldino no nº 10. Casou com José Simão Vieira Ribeiro, de quem foi a primeira mulher, nascido a 27.2.1836 na freguesia de São Lourenço, Macau e falecido a 19.10.1901 em Hong-Kong, filho de Adeodato Vieira Ribeiro, escrivão da abertura da alfândega de Macau em sucessão a seu Pai, e de sua mulher Maria Filipa Vieira Ribeiro. 10.5.1. José Maria Vieira Ribeiro, nasceu a 21.6.1860 na freguesia da Sé, Macau. 10.5.2. Crisanto Carlos Vieira Ribeiro, nasceu a 25.10.1862 em Hong-Kong. 10.5.3. Sinibaldo Simão Vieira Ribeiro, baptizado a 20.1.1867 em Hong-Kong e faleceu a 23.12.1908 na mesma cidade. Casou a 11.9.1904 nesta cidade com Helen Williams, nascida em Hong-Kong, filha de Henry Williams e de Mãe incógnita. 10.5.4. D. Everdina Maria Vieira Ribeiro, nasceu a 9.7.1868 em Hong-Kong e faleceu a 6.1.1907 na mesma cidade. Casou a 11.6.1895 em Hong-Kong, na capela de Kowloon com Marçal António Vaz, de quem foi a primeira mulher, nascido a 30.6.1875 nesta cidade onde faleceu a 29.9.1925, filho de Filipe Paulo Vaz e de sua mulher Ananias Maria Vaz. Com descendência (Jorge Forjaz – op. cit., volume III, título Vaz, § 2º). 10.5.5. Orlando Maria Vieira Ribeiro, nasceu a 30.11.1869 em Hong-Kong. 10.5.6. D. Lília Helena Maria Vieira Ribeiro, nasceu a 20.5.1871 em Hong-Kong onde faleceu a 21.8.1912. Casou a 28.7.1894 nesta cidade com António José Maria Rodrigues, nascido a 25.5.1875 na freguesia da Sé em Macau e falecido a 8.9.1947 em Hong-Kong, filho de Joaquim António Maria Rodrigues e de sua mulher Guilhermina Laurência Vieira Ribeiro. Com descendência (Jorge Forjaz – op. cit., volume III, título Rodrigues, § 3º). 10.5.7. D. Sara Maria Vieira Ribeiro, nasceu a 8.4.1873 em Hong-Kong. 10.5.8. César Augusto Vieira Ribeiro, nasceu a 28.8.1875 em Hong-Kong.
11. Edeltrudes Guilhermina da Rosa, nasceu a 13.10.1838 na freguesia de São Lourenço em Macau e faleceu a 27.9.1868 na freguesia da Sé da mesma cidade. Casou em Macau com Luciano José Lopes, de quem foi a primeira mulher, nascido a 13.12.1833 em Macau, São Lourenço, e aí baptizado a 25.8.1836. Foi empregado da procuradoria dos negócios sínicos em Macau. Era chefe da Família Lopes e Lopes da Fonseca em Macau, filho natural de Januário José Lopes, negociante de grosso trato, sócio da Casa do Seguro de Macau, que deu origem à famosa herança os milhões de Calcutá a que se habilitaram seus descendentes como herdeiros de direito junto com outros herdeiros descendentes de outros sócios da referida Casa extinta em 1825 (José de Campos e Sousa – Os Milhões de Calcutá), irmão da santa casa da misericórdia de Macau eleito a 24.3.1842, e de Josefa Maria, com quem não foi casado; neto paterno de Constantino José Lopes, nascido a 12.5.1782 em Macau, São Lourenço, e aí falecido a 21.12.1832, 1º tenente da marinha Real de Goa, capitão de navios que comandou o navio São Miguel do barão de São José de Porto Alegre na armada do ouvidor Miguel de Arriaga contra os piratas do Mar da China e nesse mesmo navio enviado ao reino do Sião para reatar as relações diplomáticas entre Macau e esse reino, e de sua mulher, com quem casou a 30.7.1805 em Macau, Sé, Ana Joaquina Heitor aí falecida a 10.9.1846 na freguesia de São Lourenço. Constantino José Lopes era filho de outro Constantino José Lopes nascido a 26.8.1751 na freguesia da Sé de Braga e de sua mulher, com quem casou em Macau, Catarina da Luz filha de Pais chineses gentios (não convertidos ao cristianismo); neto paterno de João Lopes da Fonseca, nascido a 3.1.1699 na freguesia da Faia, Guarda e aí baptizado a 11, onde era morador em Campo de Touros (irmão de Manuel Lopes casado com Maria da Igreja nascida em Cabral, Tuy, Espanha, irmã de Paulo, nascido a 22.6.1722 e baptizado a 29 em Faia, Guarda) e de sua mulher, com quem casou a 29.9.1750 na freguesia da Sé de Braga, Jacinta Teresa, filha natural de Domingas da Silva, solteira; bisneto por varonia de Manuel Lopes, nascido cerca de 1670 e de sua mulher e prima Maria da Fonseca de Sequeira, ambos de Faia, Guarda, ela irmã do reverendo padre Miguel da Fonseca Siqueira que apadrinhou no baptismo seu sobrinho João Lopes da Fonseca, referido. Ana Joaquina Heitor que ficou casada com Constantino José Lopes era filha de Jerónimo Heitor e de sua mulher Rita da Conceição. Luciano José Lopes casou segunda vez a 7.1.1869 na freguesia da Sé de Macau com Maria Úrsula (ou Umbelina) de Jesus de quem teve descendência referida por Jorge Forjaz – op. cit., volume II, título Lopes, § 1º. 11.1. D. Elvira Amabília Lopes, nasceu em 1853 e faleceu a 17.11.19131 na freguesia da Sé, Macau. Casou a 1.9.1876 na mesma freguesia com Clodomiro Geraldo de Noronha, nascido a 13.2.1850 na freguesia de São Lourenço e falecida a 26.5.1883 na freguesia da Sé, filho de Francisco de Paula Noronha e de sua mulher Marta Vicência do Rosário. 11.2. Tobias Maria Lopes, nasceu a 2.12.1857, empregado comercial em Xangai. Casou duas vezes: a 1ª a 13.9.1879 em Hong-Kong com Virgínia Maria Rodrigues (a), nascida em 1860 em Hong-Kong, filha de Higino Joaquim Rodrigues e de sua mulher Cristina Rodrigues; casou 2ª vez a 14.1.1888 também em Hong-Kong com Capitolina Maria Favacho (b), nascida em 1855 (já viúva de […] Silva). 11.2.1. (b) D. Edeltrudes Inocência Lopes. 11.2.1. (b) César Cirino Lopes. 11.2.3. (b) Cecílio Carlos Lopes. 11.2.4. (b) Luciano Leonel Favacho Lopes. 11.2.5. (b) D. Esméria Lucrécia Lopes. 11.3. Leopoldino Ludovico Cândido Lopes, com quem se continua. 11.4. Luciano José Lopes, nasceu em 1867 e faleceu a 20.2.1871 na freguesia de São Lourenço, Macau.
12. Leopoldino Ludovico Cândido Lopes, nasceu a 18.1.1864 na freguesia da Sé em Macau onde foi baptizado a tendo por padrinhos os tios maternos Clara Maria e deu marido José Simão Vieira Ribeiro. Foi 2º sargento da guarda policial e amanuense da Imprensa Nacional de Macau. Casou duas vezes: a 1ª a 25.2.1884 na freguesia da Sé de Macau com D. Maria Francisca do Rosário (a), nascida em 1860 em Macau, São Lourenço, e falecida na mesma cidade, na freguesia da Sé, filha de Joaquim José do Rosário de Esmeralda Maria; casou 2ª vez a 16.6.1900 na mesma cidade, na freguesia da Sé, com D. Maria Aurah Antónia da Silva Corveth (b). 12.1. (a) Zelinda Matilde Lopes. 12.2. (b) Olívia Stela Lopes. Faleceu solteira e sem descendência. 12.3. (b) Etelvira Maria do Monte Carmelo Lopes. Casou e com descendência. 12.4. (b) Floriza Maria Teresa Lopes, com quem se continua. 12.5. (b) Lopoldina Lucrécia Lopes. Casou e com descendência. 12.6. (b) Estanislau Carlos Lopes. Casou e com descendência. 12.7. (b) Maria José Lopes. Faleceu solteira e sem descendência.
13. D. Floriza Maria Teresa Lopes, nasceu a 16.1.1905 em Macau, Sé, e faleceu a 15.12.2004 em Lisboa, São José, sendo moradora em Benfica, no largo conde de Ottollini, 8, 1º frente. Foi funcionária da repartição técnica das obras públicas de Macau e reformou-se quando veio viver para Portugal em 1955 com seu marido para acompanhar a sua filha nos estudos universitários. Casou a 30.4.1940 em Macau com José Cândido de Arêde e Soveral, nascido a 3.10.1888 em Beja, São Salvador e falecido a 6.10.1955 em Lisboa, alferes miliciano (1904-1919), actor de teatro, de cinema, encenador, e funcionário público. De entre a sua filmografia destacam-se Barbanegra de George Pallu, 1920, Os Lobos de Rino Lupo, 1923, O Fado de Maurice Mariaud, 1923, A Tormenta de George Pallu, 1925 e A Morgadinha dos Canaviais de Caetano Bonnucci e Amadeu Ferrari, 1949. Foi para Macau em 1932, depois de ter estado sucessivamente no Brasil, Moçambique e Índia portuguesa. Em Macau foi chefe da secção de contabilidade da direcção de obras públicas e posteriormente chefe da secretaria de obras públicas, correspondente do jornal «Diário de Notícias», e fundador da academia de amadores de arte e de música. Era filho de João Baptista de Arêde Soveral, capitão do exército graduado em coronel, capitão-mor da província de Bié em Angola, fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da ordem de São Bento de Aviz, e de sua mulher D. Felícia Paula Pereira Marques; neto paterno do juiz desembargador Bernardino Passos de Arêde Soveral Tavares e de sua mulher e prima D. Maria Bernardina Dias Brandão; e neto materno de José Maria Marques e de sua mulher Doña Maria Josefa Regina Pereira Ballestero. Vide Luís Soveral Varella – A Família Arêde Soveral, e Manuel Abranches de Soveral e Luís Soveral Varella – Os Soveral Tavares, Subsídios para a sua Genealogia. 13.1. D. Maria de Fátima Lopes de Arêde Soveral, com quem se continua.
14. D. Maria de Fátima Lopes de Arêde Soveral, nasceu a 5.2.1933 na freguesia da Sé em Macau e morreu a 6.7.1991 na freguesia da Lapa em Lisboa, licenciada em ciências físico-químicas pela faculdade de ciências de Lisboa, onde foi professora assistente, professora efectiva na escola secundária de Sebastião e Silva, antigo liceu de Oeiras. Era representante das Famílias Arêde, Soveral de Oliveira do Conde, Arêde Soveral, dos morgados da Mourisca do Vouga na Aguieira e morgados de Lourizela. Casou a 12.12.1959 na freguesia de Benfica em Lisboa com António José Águas Rodrigues Varella, nascido a 4.1.1934 em Lisboa, na freguesia de S. Sebastião da Pedreira. Engenheiro civil/militar, licenciado pelo instituto superior técnico e pela escola do exército, coronel do exército, com o curso do estado-maior, comendador da ordem de Aviz, várias vezes condecorado, nomeadamente som as medalhas Cruz de Guerra e Serviços Distintos com Palma e louvado. Fez comissões de serviço na guerra colonial em Angola e Moçambique, e sucessivamente comandou interinamente o estado-maior do comando territorial do centro em Moçambique, foi presidente do Fundo de Fomento de Habitação, director-geral, membro do conselho superior de obras públicas, 2º comandante da escola prática de engenharia de Tancos e comandante do regimento de engenharia de Lisboa, está actualmente reformado do exército e exerce a sua actividade profissional como engenheiro civil na direcção e fiscalização de obras. 14.1. António José Arêde Soveral Rodrigues Varella, nasceu a 4.10.1960 em Lisboa (São Sebastião da Pedreira). Funcionário da General Electric Medical Systems em Paris e no Dubai, director do departamento no Dubai e responsável pelos países do Maghreb, Chipre e Malta. Frequentou a licenciatura em medicina na universidade de Coimbra que não terminou, enquanto foi dirigente nacional da união dos estudantes comunistas (UEC). Casou civilmente a 11.2.1991, em Oeiras (São Julião da Barra), na Feitoria do Colégio Militar, com D. Paula Cristina Cabral Adão Canas Moreira, nascida a 4.1.1966 em Lisboa (Alvalade), diplomada com o curso de turismo do instituto superior de línguas e comunicação (ISLA), filha de Joaquim Manuel Canas Moreira, médico cirurgião, nascido em Setúbal e falecido em 1998 em Lisboa, e de sua 1ª mulher D. Maria de Fátima Monteiro Cabral Adão, nascida em Setúbal; neta paterna de Manuel Luís Pereira Moreira e de sua mulher D. Maria Noémia Canas; e neta materna de Luís Manuel Cabral Adão, médico estomatologista, nascido em Vila Flor (irmão de D. Maria José Cabral Adão, Senhora herdeira da Casa dos Lemos em Vila Flor), e de sua 1ª mulher D. Maria Cândida Vieira Monteiro de Miranda, nascida em Campelo, Baião. 14.1.1. Felipe António Adão Moreira Soveral Varella, nasceu a 10.11.1995 em Versailles, França. 14.1.2. D. Catarina Adão Moreira Soveral Varella, nasceu a 11.9.1999 em Versailles, França. 14.2. António Luís Arêde Soveral Rodrigues Varella, nasceu a 2.10.1961 na freguesia de Nossa Senhora do Carmo em Luanda, Angola, e vive em Vila Nova de Milfontes. Arquitecto licenciado pela faculdade de arquitectura da universidade técnica de Lisboa. Autorizado por alvará de 25.7.1991 do extinto Conselho de Nobreza a usar o seguinte brasão de armas: escudo esquartelado: I e IV - Soveral, II - Soares de Albergaria, III – Borges, timbre de Soveral e por diferença uma brica de verde com um ferro de lança de oiro em banda. Membro da Associação da Nobreza Histórica de Portugal e do Instituto Português de Heráldica. Autor destas notas. 14.3. D. Maria de Fátima Arêde Soveral Rodrigues Varella, nasceu a 8.12.1962 em Quelimane, Moçambique, diplomada com o curso de gestão de seguros pela universidade católica de Lisboa, depois de ter frequentado a licenciatura em física na faculdade de ciências de Lisboa que não concluiu, e é actualmente profissional de seguros na Liberty. Casou duas vezes: a 1ª 23.9.1989 em Sintra (na capela de Santa Maria) com João Alfredo Madeira Ferreira Da Cunha (a), nascido a 28.8.1958 em Mapussá, Índia Portuguesa, cavaleiro hípico, várias vezes campeão e actual campeão nacional de saltos na classe de veteranos (2005)que frequentou a licenciatura em engenharia civil no instituto superior técnico e não concluiu, filho de Alfredo Alves Ferreira da Cunha, coronel de cavalaria, e de sua mulher D. Branca Maria Gomes Madeira; neto paterno de José Alves da Cunha e de sua mulher D. Piedade Ferreira; e neto materno de José Ramos Madeira, e de sua mulher D. Filomena Gomes. [Casou] segunda vez com Salvador Pizarro Fezas Vital (b), nascido a 28.9.1957 em Lisboa, gestor, director do Banco Privado, filho de Domingos José Cabral Fezas Vital e de sua mulher D. Maria Teresa Franco Pizarro de Melo Sampaio; neto paterno de Domingos Fezas Vital, professor catedrático, reitor da universidade de Coimbra, etc., lugar-tenente de Sua Alteza Real o Senhor D. Duarte Nuno, duque de Bragança, e de sua mulher D. Maria Teresa Freire do Amaral Cabral; e neto materno do dr. António Caetano Pizarro de Melo e Sampaio, e de sua mulher D. Maria Albina Soares Franco. 14.3.1. (a) Guilherme Soveral Varella Ferreira da Cunha, nascido a 10.9.1992 no Restelo sendo registado em Oeiras (S. Julião da Barra). 14.3.2. (b) Domingos Soveral Varella Fezas Vital, nasceu a 19.2.2003 em Lisboa, registado em Oeiras (S. Julião da Barra). 14.4. D. Maria da Conceição Arêde Soveral Rodrigues Varella, gémea da anterior, licenciada em psicologia pelo instituto superior de psicologia aplicada, frequentou a licenciatura em engenharia civil na faculdade de ciências de Lisboa, que não concluiu. Casou civilmente a 26.7.1991, em casa, em Oeiras (S. Julião da Barra), com João Filipe Maia de Lima Mayer, nascido a 1.5.1946 em Lisboa, licenciado em ciências económicas e financeiras, ex-administrador delegado do Banco Standard Totta em Moçambique e actual presidente do conselho de administração do BNC/BPP – Banco Nacional de Crédito/Banco Popular Português, co-herdeiro com suas irmãs da herdade do Monte Caído em Samora Correia, filho de Filipe de Lima Mayer, sucessor da herdade do Monte Caído, e de sua mulher D. Maria da Teresa de Carvalho Maia; neto paterno de Adolfo de Lima Mayer Júnior, comerciante, industrial e empresário, sócio gerente da Lima Mayer & C.ª, senhor da quinta Velha e da quinta do Bister, ambas em Sintra, etc., e de sua mulher Mrs. Sarah Maria Buckley, de nacionalidade irlandesa; e neta materno de Óscar da Silveira Maia e de sua mulher D. Amélia Claudina de Carvalho. Vide Adolfo de Lima Mayer – Livro de Família I e II. 14.4.1. D. Maria Soveral Varella de Lima Mayer, nasceu a 23.12.1991 no Restelo sendo registada em Oeiras (S. Julião da Barra). 14.4.2. D. Teresa Soveral Varella de Lima Mayer, gémea da anterior, afilhada de baptismo do autor destas notas. 14.4.3. Salvador Soveral Varella de Lima Mayer, nasceu a 26.3.1993 no Restelo sendo registado em Oeiras (S. Julião da Barra). 14.4.4. D. Maria da Conceição Soveral Varella de Lima Mayer (Conchinha), nasceu a 6.8.1997 na freguesia do Campo Grande, sendo registada em Oeiras (S. Julião da Barra). 14.5. D. Maria João Arêde Soveral Rodrigues Varella, nasceu a 9.9.1964 em Lisboa (Lapa), licenciada em bioquímica pela faculdade de ciências de Lisboa. Casou civilmente a 7.7.2003 em Cascais com Vasco Falcão Peres Galvão, de quem é a terceira mulher, nascido a 6.1.1955 em Lisboa, oficial da marinha de guerra com o posto de capitão-tenente, filho de Fernando de Azevedo Canelas Peres Galvão, advogado, e de sua mulher D. Fernanda Isabel Falcão Ribeiro de Almeida Leitão; neto paterno de Joaquim Urbano Peres Furtado Galvão e de sua mulher D. Maria Amélia de Azevedo Canelas; e neto materno de Vasco da Gama Leitão e de sua mulher D. Fernanda Falcão Ribeiro de Almeida. Vasco Falcão Peres Galvão quando casou estava já divorciado e com descendência de D. Isabel Magalhãese de D. Maria Leonor Madureira
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