Luís Soveral Varella
Genealogia

SOARES DE ALBERGARIA
(um ramo de Macieira de Cambra)
e
BORGES, da Casa da Arrifana de Santa Maria (Feira)
(BORGES DE ALMEIDA, de Sandiães)

 
desenho de Manuel Abranches de Soveral
obtido em
http://geneweb.inria.fr/roglo?lang=pt;.

 

Correcção ao artigo publicado no nº 15 da revista «Raízes & Memórias», Outubro de 1999, continuação dos nºs 12 e 13 - A Família Arêde Soveral.

Na segunda parte deste estudo publicado nos nºs 12 e 13 de «Raízes & Memórias» publiquei uma informação errada fruto de confusão entre duas personagens do mesmo nome, tia e sobrinha, de seu nome Antónia Borges de Almeida.

Aquela, nasceu por volta de 1653 e casou com Mateus de Bastos, sendo filha de Antónia Borges de Almeida e de seu marido Domingos Gomes. A outra, baptizada a 29.1.1661 era filha de Manuel Soares Homem e de sua mulher Maria Borges de Almeida, por sua vez filha dos referidos Antónia Borges de Almeida e marido Domingos Gomes. Este "pequeno" erro altera profundamente os factos no que toca à ascendência do capitão Manuel de Arêde Tavares casado com D. Isabel Henriqueta Maria de Soveral Tavares de Passos Lima, precisamente os progenitores da Família Arêde Soveral, já que ele era assim trisneto do casal Antónia Borges de Almeida e marido Mateus de Bastos e não era descendente do casal Manuel Soares Homem e mulher Maria Borges de Almeida, como por erro se referiu.
A António de Souza-Brandão, conhecedor como poucos das Famílias dos arredores aveirenses, devo esta advertência que em tempo me fez sobre o facto, e só não o corrigi logo porque, como se disse na introdução ao sub-título
«Soares de Albergaria de Vale de Cambra e Borges da Casa da Arrifana de Santa Maria (Feira)», a descendência de Pedro Soares, chamado de Cambra ou de Teamonte (de quem descende o Manuel Soares Homem) estava à data a ser desenvolvida pelo próprio António de Souza-Brandão (e em melhores mãos não poderia estar). Aí ficaria definitivamente corrigido este erro, mais do que mera imprecisão.
Entretanto, no decorrer do ano 2000 foi finalmente publicado o vol. IV da revista Ul-Vária, onde se faz também a referida correcção.
Assim, dever-se-á considerar não escrita a totalidade desse sub-título, a págs. 190 e seguintes do nº 13 da revista
«Raízes e Memórias» e dever-se-á ler:

1. Manuel Homem Soares, nasceu cerca de 1552 e foi certamente morador em Macieira de Cambra. É referido pelo grande genealogista Luís da Gama Ribeiro Rangel de Quadros e Maia no seu nobiliário, que se encontra no Arquivo Distrital de Braga, no tomo IV, § 84 a fls. 275, que lhe dá no entanto por irmão um Estêvão Soares de Albergaria que era afinal seu filho. Cristóvão Alão de Moraes no seu nobiliário «Pedatura Lusitana», em título de Pinhos a págs. 348, no entanto, hesita no nome deste Manuel e chama-lhe erradamente Pedro ou João Soares, de Cambra. A sua ascendência e o seu entroncamento nos Soares de Albergaria, foram recentemente tornados públicos por Manuel Abranches de Soveral, depois de um aturado estudo feito neste ramo familiar pelo autor referido e pelo autor destas notas[1].

Manuel Homem Soares era irmão de entre outros, de João Soares Homem, fidalgo da Casa Real e senhor da quinta de Tarei, de Madalena Soares casada com António (ou Amador) de Aguiar, senhor da quinta de Fijó (cujos descendentes herdaram o morgadio de Nossa Senhora dos Remédios em Oliveira do Conde), e de Estêvão Soares de Albergaria. Este Estêvão nasceu cerca de 1560 e faleceu a 11.12.1611, sendo sepultado em campa rasa com as armas dos Soares de Albergaria e pleno, na igreja de São Sebastião do Paço do Lumiar com inscrição, transcrita por Cordeiro de Sousa[2] e que Manuel Soares de Albergaria Paes de Melo reproduz na íntegra[3], onde se refere que foi capitão e cavaleiro da ordem de Cristo. Luís da Gama identifica-o como cavaleiro da ordem de cristo filhado eCap.am das Galés. Foi efectivamente cavaleiro fidalgo da Casa Real, cavaleiro da ordem de Cristo, com carta de hábito a 24.3.1608[4], alvará para usar o hábito de ouro pendente a 26.3.1608[5] alvará de cavaleiro a 24.3.1608[6], e teve o padrão de 12$000 de tença com o hábito a 23.9.1611[7], ano em que viria a falecer. A 17.9.1604, sendo já cavaleiro, recebe tença de 10.000 réis por ter servido em Tânger durante 15 anos e meio com cavalo acobertado, até lhe ser dada mercê de uma das ordens, passando então a receber 25.000 reais de tença. A 27.1.1620 existe nos mesmos registos uma carta de quitação de ¾ da tença que teve com o hábito à sua viúva. Foi morador em Lisboa onde casou cerca de 1595/6 no Paço do Lumiar com Ana de Macedo da Maia, nascida cerca de 1575, filha de Diogo Lopes de Macedo e de sua mulher Madalena da Maia, e onde instituiu um morgadio. O assento de óbito de Estêvão não existe nos registos paroquiais da freguesia do Lumiar em Lisboa, que faltam de 1606 a 1613, e também não foi encontrado o seu casamento. A única referência a ele é a do assento de baptismo de seu filho que parece ter sido único, Diogo Soares, baptizado a 11.5.1597 em Lisboa, Lumiar, tendo por padrinhos o conde da Feira D. João Pereira e D. Inês, e que é referido por Alão de Moraes, que diz ter sido casado com uma filha de André Pereira de Miranda de quem não teve descendência mas que a teve porém ilegítima. Sua mulher Ana de Macedo da Maia teve pelo menos um irmão de nome Fulgêncio de Macedo da Maia, baptizado a 9.3.1578 no Lumiar tendo sido apadrinhado por Vasco Gomes e por D. Camila, e casou a 28.11.1613 na mesma freguesia com D. Catarina de Vasconcelos, tendo sido testemunhas o cónego Manuel de Póvoas e D. Jerónima. A Família da mulher de Estêvão Soares de Albergaria, tinha, para as senhoras, o tratamento de dona e tratava-se com escravos como se verifica do assento de baptismo de uma criança de nome Catarina a 2.5.1592, filha de uma escrava de Diogo Lopes de Macedo.

Todos estes, e os restantes irmãos, eram filhos de Domingos Homem, morador em 1648 na Arrifana de Santa Maria, e de sua mulher Joana de Meireles; netos paternos de André Homem da Costa, nascido cerca de 1530 em Vouzela, e de sua mulher Catarina Vaz de Sampaio, referidos em «A Família Arêde Soveral»; e netos maternos de Lopo Soares de Albergaria, nascido cerca de 1505, moço fidalgo da Casa do Rei D. João III, fidalgo da cota de armas com carta de brasão passada a 5.6.1549 para Soares de Albergaria com um crescente por diferença, senhor do prazo da quinta de Tarei em Souto (Feira), onde viveu, e que deverá ser o mesmo que teve uma tença de 50.000 reais[8], e de sua mulher D. Leonor de Meireles. Lopo Soares de Albergaria era filho de Pedro de Santar, nascido cerca de 1480, e de sua mulher D. Branca Coelho, que parece ser filha do navegador Nicolau Coelho, que comandou uma das naus da armada de Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para Índia, e que pelos seus feitos foi tirado do conto dos plebeus e feito fidalgo da cota de armas por carta de armas novas datada de 20.5.1503. Pedro de Santar era filho natural (de mãe que se desconhece) de Lopo Vaz Soares, nascido cerca de 1444, e já falecido a 19.5.1517, cavaleiro da Casa Real, almoxarife e almoxarife da alfândega do Porto, confirmado no cargo pelo Rei a 9.5.1498, pelos serviços prestados, com 8.195 reais de mantimento, cidade onde viveu nas suas casas na rua Nova, herdades de seu sogro, de quem Alão de Moraes diz ter sido senhor de Gomilhães, em Guimarães e o refere como fidalgo de linhagem, o qual era casado com Ana de Freitas que levou o cargo de almoxarife em dote[9]; e neto paterno de Pedro Soares de Albergaria, nascido cerca de 1405, fidalgo da Casa Real com 4.000 réis de moradia (1439), morador em Braga e terá falecido antes de 1472 pois não é referido no testamento de seu irmão Diogo Soares, e de sua mulher, casados cerca de 1440 Mécia Vaz, que parece era parente do conde Arraiolos. Este Pedro era filho de Fernão Gonçalves de Figueiredo, senhor de juro e herdade de Senhorim, etc., com quem Manuel Abranches de Soveral em op. cit. inicia o seu título Soares de Albergaria (filho do bispo D. Gonçalo de Figueiredo), e de sua mulher D. Catarina Dias de Albergaria, nascida cerca de 1368, donzela do paço, 12ª senhora do morgadio da Albergaria de São Mateus e 8ª senhora do morgadio da capela de Santo Eutrópio, em Lisboa, herdeira de toda a casa de seu pai, Diogo Soares de Albergaria, senhor de juro e herdade das vilas de Santar, Senhorim, Óvoa e Barreiro, alcaide-mor do castelo de Arronches, etc.[10]

Manuel Soares Homem foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, que a 8.1.1581 é confirmado no ofício de contador dos contos do reino e Casa Real, que recebeu em dote ao casar com Beatriz de Almeida, filha de António de Almeida, contador dos contos do reino, coroa e Casa, conforme constava da mercê de 26.1.1580 que lhe tinha sido dada para que nesse ofício sucedesse quem casasse com sua filha mais velha. Foi ainda juiz da alfândega de Diu, por serviços prestados na Índia, como se documenta na mercê de seu filho. Poderá ainda ser o mesmo Manuel Homem, cavaleiro fidalgo da Casa Real, morador na sua quinta do Algés, que a 3.12.1572 fiança Afonso Dias, tabelião de Belas, e Francisco de Atouguia, filho deste, para servir os ofícios da vila de Pena, que todos eram de seu pai, por provimento do dr. António de Faria Pereira Correia, de Alenquer (tabelião de Lisboa, Jerónimo Teixeira, fl. 139). Casou duas vezes: a 1ª cerca de 1589 com Beatriz de Almeida (a), que 8.1.1581 teve confirmação dos cargos de contador dos contos do reino e Casa Real, que eram de seu pai, para seu marido, filha de António de Almeida, fidalgo da Casa Real por mercê de 27.4.1543, armado cavaleiro em Baçaim (por Rui Lourenço de Távora), contador dos contos do reino e Casa Real (mercê de 27.11.1578), depois de ter sido morador na Torre da Mota, em Carvalhais, termo de São Pedro do Sul; neta paterna de Jorge de Almeida, nascido cerca de 1483, fidalgo da Casa Real e senhor da Torre da Mota; e trisneta de Pedro Dias Brandão, senhor da Torre da Mota, (filho de Digo Brandão «o velho», do Porto), e de sua mulher D. Isabel de Almeida, nascida cerca de 1461 (filha de Luís de Almeida, senhor de juro e herdade de Moçâmedes, cavaleiro fidalgo da Casa Real nas listas de 1462, ano que morreu envenenado por sua mulher, sendo sepultado na Sé de Viseu, junto à porta principal em túmulo com o brasão de armas dos Almeida e letreiro, segundo Alão de Moraes)[11]. Casou 2ª vez com Isabel Castanho (b), segundo Alão de Moraes, que depois de viúva casou 2ª vez com o dr. Fernão Ribeiro, advogado, provavelmente de Lisboa, e deste 2º casamento de Manuel Homem Soares parece não ter havido descendência.

1.1. (a) Domingos Homem, escrivão proprietário da balança da alfândega de Lisboa por carta de 23.7.1592, cargo que fora de seu tio, e faleceu ante de 1605, ano em que seu irmão André é dito o filho mais velho (vivo) de Manuel Homem Soares.

1.2. (a) André Soares de Almeida. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, e como filho mais velho sucedeu a seu pai nos cargos de contador dos contos do reino e Casa Real e de juiz da alfândega de Diu por mercê de 18.3.1605 e até 20.2.1619, data em que é nomeado escrivão dos contos do reino e numerador e assinador dos livros das casas da Índia, armazéns e alfândegas e direitos reais de Lisboa, cargo que exerce até 19.9.1631 quando é novamente nomeado contador dos contos do reino e Casa Real com 100.000 reais de ordenado contra os 50.000 reais que tinha.

1.3. (a) Francisco de Almeida Soares, já falecido em Agosto de 1651. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e morava em 1635 no Paraíso (quinta do Paraíso em Arruda dos Vinhos, termo de Lisboa [?]), contador dos contos do reino e Casa Real e por mercê de 22.5.1624 escrivão dos contos do reino e Casa Real pelos serviços prestados por seu avô António de Almeida e seu tio Henrique de Almeida (dos Almeida, de Moçâmedes[12]), conforme fora prometido por carta de 23.12.1623 assim que vagasse o lugar. Foi ainda feitor da alfândega de Lisboa, cargo que teve com o casamento. Casou com Isabel Pegado, filha de Bernardo Franco Figueiro, que tivera o mesmo cargo por mais de 15 anos, alferes e capitão de uma companhia em Lisboa, e de sua mulher Mariana Pegado. Poderá ser ainda o mesmo que, sendo cavaleiro fidalgo da Casa Real, de fora de Portas da Cruz, surge em 1636 casado com Isabel da Gama, que poderá ser a mesma Isabel Pegado ou uma 2ª mulher. Com descendência.

1.4. (a) António de Almeida Soares, morador em Lisboa quando em 1635 surge numa petição que lhe faz seu irmão Francisco como procurador de António da Rocha Bezerra, de Pernambuco, a si e a Miguel Roiz, contador dos contos, também morador nesta cidade, no tabelião de Lisboa Jerónimo Teixeira, fls. 86 a 89.

1.5. (a) Catarina de Almeida, com quem se continua.

 

2. Catarina de Almeida, nasceu por volta de 1585, vivia casada em 1607 em Carvalha, Macieira de Cambra, quando amadrinha junto com seu marido em Castelões a 30.6.1607 João Pereira do Lago, e novamente a 19.10.1610. É referida por Luís da Gama Rangel de Quadros e Maia e por Alão de Moraes. Casou por volta de 1605, certamente em Macieira de Cambra, com seu primo André Borges Homem, nascido por volta de 1580, referido pelos dois genealogistas nos seus nobiliários, e com quem Luís da Gama Rangel de Quadros e Maia inicia o § 84 do seu tomo IV. Era filho primogénito de António Borges, pessoa nobre, como o diz o mesmo autor[13], e de sua mulher Maria de Pinho, ambos referidos pelos dois genealogistas, respectivamente nos § 84 e no título de Pinhos[14]. Maria de Pinho era irmã inteira de Filipa de Pinho Sampaio[15], e ambas filhas de André Homem da Costa, oriundo de Vouzela, e de sua mulher D. Catarina Vaz de Sampaio; netas paternas de Pedro Homem da Costa, dos de Vouzela (filho de Pedro Homem da Costa, dos de Vouzela[16]); netas maternas de Tristão Vaz Pinto e de sua mulher D. Filipa de Pinho, moradores em Vila da Feira (filha de Pedro Vaz, morador na Terra da Feira[17] e de sua mulher Brites (Anes) de Pinho, irmã de Lourenço Anes de Pinho, do tronco dos Pinho, padroeiros do Mosteiro de Grijó, onde tinham comedoria[18]).

2.1. António Borges Homem. Casou com Maria de Oliveira, filha de Jorge de Oliveira, de Ossela e de sua mulher Antónia Barbosa da Fonseca, referidos por António de Souza-Brandão no § 9 da obra citada, e foram moradores na Quinta de Vila Nova. Sem descendência.

2.1.1. Manuel Soares de Almeida. Casou em Roge, Vale de Cambra, com sua cunhada Isabel Barbosa Lobo, irmã de Maria de Oliveira, acima. Viveram em Vermoim na Quinta de Vila Nova, e em Ossela, e surge em Roge como testemunha pelo menos a 3.12.1693.

2.1.1.1. Pedro Soares Homem, clérigo, prior de Roge. Teve um filho de Luísa, mulher solteira.

2.2.1.1.1. Pedro, baptizado a 26.4.1655 em Roge, fº de luisa soltrª de sandianis deu por pai o p.e pº soares forão pp. Joam frs E isabel brandoa.

2.1.2. Manuel Soares Homem, casado com Mariana de Almeida, de Ovar.

2.1.3. João Barbosa Soares.

2.1.4. Domingos Soares Homem.

2.1.5. Isabel Barbosa. Casou a 31.5.1678 em Roge com António Francisco Correia, da freguesia de Cepelos, pelo pe. Pero soares homem com Lça do Rdo. Prior nesta Igrª de Roje a sua Irman isabel barboza de Villa nova fª de mel soares homem..., tendo assistido ao acto Adrião Tavares, Diogo Simão e Francisco Simão. Sem descendência.

2.1.6. Ângela Barbosa, casada com Paulo Coelho Soares.

2.1.7. Mónica Barbosa.

2.1.8. Maria Soares.

2.1.9. Francisca Soares.

2.1.10. Domingas Soares.

2.1.11. e mais seis filhos que morreram ainda crianças.

2.3. Diogo Soares, que morreu na Índia, solteiro.

2.4. João Soares, que morreu na Índia.

2.5. Maria Borges, casada em Cambra com Manuel de Almeida de Aguiar.

2.6. Antónia Borges de Almeida, com quem se continua.

 

3. Antónia Borges de Almeida, nasceu por volta de 1615 em Carvalha, termo de Macieira de Cambra, Nossa Senhora da Conceição e foi viver para Sandiães, em São Salvador de Roge e pode ter morrido de parto em casa dos pais onde teria ido dar à luz a sua última filha. Por outro lado é também possível que se trate da Antónia Borges que vem a morrer em Sandiães a 10.11.1653 — em 10 do novembro moreo antª borges. É referida tal como seu marido por Alão de Moraes em título de Pinhos e por Luís da Gama no § 85 do seu tomo IV, que também identifica os seus sogros. Casou com Domingos Gomes «o novo», nascido por volta de 1615 em Sandiães e aí falecido com testamento a 22.7.1677, que surge em Sandiães inúmeras vezes a apadrinhar baptismos e como testemunha de casamentos, o que deixa adivinhar tratar-se de pessoa de grande estima e bom trato. Surge nomeadamente a 26.3.1647 como padrinho de Maria filha de Pascoal Mendes, a 3.5.1655 junto com sua filha Maria a amadrinhar uma criança de nome Alexandre filho de João Tavares, de Moreira, a 6.5.1674 no casamento de João Henriques com Isabel Mendes, e a 27.9.1675 juntamente com sua filha Marta a amadrinhar uma sua neta de nome Maria, referida adiante. Este mesmo Domingos Gomes teve ainda fora do casamento pelo menos uma fª b. em Roge a 16.2.1658 de nome Maria fª de Isabel soltrª hora moradora em fuste e filha de pero dias de ..., bautizei em 16 de feverº de 58 deu por pay D.os gomes de Samdiais, tendo sido apadrinhada no acto por Gonçalo Joam e Domingas Gonçalves ambos de Fuste, sendo prior o Pde. Cristóvão Jorge. Era filho de Domingos Gomes «o velho», como lhe chama Luís da Gama, que deve ser o que morre em Janeiro de 1652 em Sandiães, e de sua mulher Isabel Tavares, que deverá ser dos Tavares do vizinho lugar de Moreira, e que poderá ser a mesma que morre a 8.6.1654 — em outo de iunho moreo isabel tavares da moreira, também Pais de uma Isabel que morre em Sandiães a 24.1.1626, mayor de dose annos.

3.1. Maria Borges de Almeida, nasceu em Sandiães antes de 1641 e surge a amadrinhar a 3.5.1655 em Roge e a 18.5.1657 em Codal juntamente com o seu Pai. Casou a 29.3.1658 na paroquial de Roge com o seu parente em 4º grau de consanguinidade Manuel Soares Homem, nascido na casa de Refóios, seu herdeiro bem como da quinta do Outeiro de Armental, capitão-mor de Cambra e juiz dos órfãos, público, judicial e notas dessa comarca, com quem António de Souza-Brandão começa o § 10º de «Soares de Vale de Cambra». O parentesco entre os nubentes existia pelos Pinhos da Arrifana de Santa Maria, sendo ela bisneta de Maria de Pinho e ele bisneto de uma sua irmã Filipa de Pinho casada com Pedro Soares, acima referidos. Tiveram larga descendência que segue no § 10 de «Soares de Vale de Cambra».

3.2. Marta Borges, que surge a amadrinhar várias vezes em Sandiães, nomeadamente junto com seu Pai a 27.9.1675 sua sobrinha Maria, e a 13.8.1694 sua sobrinha Joana junto com o reverendo padre Domingos Tavares, de Moreira, sendo então moradora em Cabril. Casou em Roge a 28.3.1675, sendo celebrante o Prior Gonçalo de Sousa Alcoforado, com Pascoal Brandão, natural de Cabril, na freguesia de Castelões, tendo por testemunhas de entre outros o seu cunhado Mateus de Bastos. Com descendência.

3.3. Catarina, fª de domingos gomes de s. dianis, baptizada em Roge a 9.3.1644 pelo Prior João Soares Coelho e forão padrinhos ... e caterina leite da frª macieira.

3.4. João fº de d.os gomes o novo, baptizado a 17.7.1645 em Roge pelo Prior João Soares Coelho, sendo padrinhos João de Almeida e Jerónima Coelho.

3.5. Bernardo Borges de Almeida, nasceu em Sandiães e foi baptizado a 20.8.1647 em Roge. Viveu em Sandiães e surge em Roge a apadrinhar, nomeadamente a 28.3.1666 juntamente com sua irmã Antónia um António filho de António Álvares e de sua mulher do lugar de Fonção e a 1.1.1676 também com sua irmã Antónia um Manuel filho de António Luís, de Sandiães e de sua mulher. Surge ainda a 9.9.1676 juntamente com seu cunhado Mateus de Bastos como testemunha de casamento de Aleixo Ferreira com Maria João, e é referido no assento de óbito de seu Pai. Casou, segundo Luís da Gama, em Vouzela com uma irmã do abade de Alva, que conforme se verifica nos assentos da freguesia de Roge se chamou Margarida de Paiva.

3.5.1. Maria, baptizada a 4.1.1677 em Sandiães pelo prior Gonçalo de Sousa Alcoforado, tendo por padrinhos Manuel Soares, de Refóios, na freguesia de Vila Chã, que se deduz ser seu tio Manuel Soares Homem, e sua tia Antónia Borges (de Almeida), referidos.

3.6. Antónia Borges de Almeida, com quem se continua.

 

4. Antónia Borges de Almeida, nasceu por volta de 1653 muito provávelmente em casa da família materna em Carvalha, freguesia de Macieira de Cambra, para onde sua mãe, provavelmente terá ido, já que o seu assento de baptismo não existe em Roge, e faleceu viúva e com testamento a 8.2.1729 em Sandiães, deixando seu genro Caetano Jorge da Costa com as obrigações ao bem de sua alma e seu corpo. É referida tal como seu marido por Luís da Gama no § 85 do seu tomo IV. Surge nomeadamente a 28.3.1666 e a 1.1.1676 como madrinha em baptismos junto com seu irmão Bernardo, e a 4.1.1677 a amadrinhar sua sobrinha Maria. Casou a 27.7.1674 em Roge, sendo celebrante o prior Gonçalo de Sousa Alcoforado, com Mateus de Bastos, nascido em Merlães, na freguesia de Cepelos, tendo por testemunhas Domingos Jorge, João Jorge, Manuel Ferreira e Pero de Torres e mtas mais testªs, todos da freguesia de Roge. Mateus de Bastos faleceu sem testamento a 17.10.1721, e tal como a sua mulher deixou o mesmo seu genro obriguado ao bem da sua alma seu Corpo. Também ele surge com muita frequência a apadrinhar baptismos e como testemunha de casamentos em Sandiães, nomeadamente a 12.2.1676 no casamento de Estêvão Soares com Maria Jorge, a 9.9.1676 juntamente com seu cunhado Bernardo Borges de Almeida no casamento de Aleixo Ferreira com Maria João, a 4.10.1676 junto com Margarida de Paiva, mulher de seu cunhado Bernardo Borges de Almeida a amadrinhar uma criança filha de Francisco Gonçalves e de sua mulher Domingas de Bastos, a 7.2.1677 como padrinho de Catarina filha de Pedro de Torres e de sua mulher Catarina Tavares, a 10.4.1678 no baptismo de uma criança de nome Páscoa, a 10.1.1679 no casamento de Pero Tavares com Joana Brandão, a 17.4.1679 no casamento de Gonçalo Ferreira com Maria Ferreira, da freguesia de Sandiães, e inclusive baptiza em casa um menino de nome João filho de Manuel Alvares e de sua mulher, ambos de Sandiães, sendo depois seu padrinho a 8.2.1676, juntamente com uma Mariana aquando dos exorcismos que lhe faz o prior da paróquia. Mateus de Bastos teve fora do casamento pelo menos uma filha, de nome Maria, conforme consta do assento de baptismo dela — Em os 20 de marco de 679 bt amaria fª de Antª solteira deu per pai aMateus de Bastos pp m.el Anriques, eluziasoares todos de Sandianis.

4.1. Maria, baptizada a 27.11.1675 em Roge, pelo prior Gonçalo de Sousa Alcoforado, tendo por padrinhos o avô materno e sua tia materna Marta. Faleceu ainda criança.

4.2. Maria, baptizada a 2.5.1678 em Roge, tendo por padrinhos o tio Manuel Soares Homem e sua filha Maria, moradores em Refóios. Faleceu ainda criança.

4.3. Joana, baptizada a 21.4.1682 em Roge, tendo por padrinhos Sebastião da Fonseca Lobato e sua irmã Sebastiana de Vasconcelos. Faleceu ainda criança.

4.4. Antónia Borges de Almeida, casou a 15.8.1694, no mesmo dia que a sua irmã Joana na paroquial de Roge, sendo celebrante o padre Domingos Fernandes, com António Tavares, do lugar de Moreira, sendo testemunhas Manuel Soares e Domingas, solteira, do lugar de Moreira.

4.4.1. Manuel, nasceu em Moreira e foi baptizado a 31.7.1711 em Roge pelo padre Domingos Fernandes, tendo por padrinho Manuel Barbosa e Mariana, filha de Manuel da Costa Salgado, de Refóios.

4.4.2. Jerónima, nasceu a 21.8.1716 em Moreira e foi baptizada a 30.8.1716 em Roge pelo padre Manuel Tavares de Almeida, tendo por padrinhos António Jorge da Costa, do lugar de Varziela, na freguesia de Macieira de Cambra, e Jerónima, solteira, filha de João Tavares do lugar de Paço.

4.4.3. António, nasceu em Moreira e foi baptizada a 28.9.1724 em Roge tendo por padrinho João Borges, de Sandiães.

4.5. Manuel, baptizado a 25.5.1687 tendo por padrinhos Manuel de Sousa Cardoso, do Porto e Mónica filha de Manuel Soares, de Vila Nova, Roge.

4.6. Maria Borges, terceira do nome, baptizada a 11.6.1690 em Roge tendo por madrinha sua prima Antónia filha de Maria Borges de Almeida e de seu marido Manuel Soares Homem. Casou a 3.3.1707 em Roge sendo celebrante o cura da igreja de Roge padre João Leite, com Filipe de Leão, natural de Vila Cova do Parrinho, e como testemunhas Manuel João do lugar de Videira, Salvador de Torres e Manuel Soares junto com outras pessoas.

4.7. Josefa, baptizada a 26.7.1691 tendo por padrinhos seu primo co-irmão Manuel Barbosa, de Refóios, Vila Chã, e Isabel filha de Domingos Jorge, de Moreira, e faleceu a 15.3.1707 com 16 anos de idade.

4.8. Joana Borges de Almeida, com quem se continua.

 

5. Joana Borges de Almeida, segunda do nome, nasceu em Sandiães e foi baptizada a 15.8.1694 na paroquial de Roge tendo por padrinhos o reverendo padre Domingos Tavares e sua tia Marta Borges. Casou a 7.7.1710 na mesma vila, sendo celebrante o padre Domingos Fernandes, com Caetano Jorge da Costa, nascido em Merlães, na freguesia de Cepelos, e testemunhas presentes Manuel Soares e Domingas, solteira, do lugar de Moreira. É referido nos assentos de óbito dos seus sogros ficando encarregue do bem das suas almas e corpos. Era filho de Domingos Jorge da Costa, capitão de ordenanças de Macieira de Cambra, e de sua mulher Maria Jorge Aires, nascida em Santa Cruz e falecida em Macieira de Cambra[19].

5.1. Maria, nasceu em Sandiães e foi baptizada a 13.3.1712 em Roge pelo padre Domingos Fernandes tendo por padrinhos seu primo o capitão Manuel Barbosa Soares, de Refóios, familiar do santo ofício e juiz dos órfãos do concelho de Cambra (filho de Manuel Soares Homem e de sua mulher Maria Borges de Almeida, acima referidos), e Maria Soares, mulher de António Jorge, da Varziela, na freguesia de Macieira de Cambra.

5.2. Josefa, nasceu em Sandiães e foi baptizada a 3.1.1714 em Roge pelo padre Gabriel de Bastos, de Cepelos tendo por padrinhos João Borges, de Sandiães e sua tia paterna Maria, solteira, de Merlães, na freguesia de Cepelos.

5.3. Caetano, nasceu a 4.10.1716 em Sandiães e foi baptizada em Roge pelo prior Belchior Teixeira a 11 do mesmo mês tendo por padrinho e madrinha seu tio paterno Domingos, do lugar de Merlães, na freguesia de Cepelos.

5.4. Doroteia, nasceu em Novembro de 1721 em Sandiães onde morreu a 9.12.1721.

5.5. Quitéria Borges de Almeida, com quem se continua.

 

6. Quitéria Borges de Almeida, nasceu a 8.10.1728 em Sandiães e foi baptizada a 14 do mesmo mês na paroquial de Roge pelo cura da igreja padre João do Couto, tendo por padrinhos José Teixeira, irmão do reverendo prior da igreja de Roge e Maria, solteira, filha de Francisco Tavares, de Moreira. Casou no mesmo lugar com Caetano Tavares da Silva, nascido em Paçô, em Sever do Vouga, Cedrim, e aí baptizado a 23.1.1724, capitão de ordenanças de Cedrim, filho de Valentim Tavares da Silva, baptizado a 23.9.1691 no mesmo lugar e de sua mulher Isabel João; neto paterno de Domingos Tavares e de sua mulher Isabel João, também daí naturais.

6.1. Quitéria, baptizada a 28.3.1765 em casa, em Cedrim "por necessidade" e morreu no mesmo dia.

6.2. Manuel, baptizado a 29.12.1756 em casa, em Cedrim "por necessidade" e morreu no mesmo dia.

6.3. Angélica, baptizada a 29.12.1762 em Cedrim e aí crismada a 11.6.1783.

6.4. Joaquina Maria Angélica Borges de Almeida Aires da Silva, com quem se continua.

 

7. Joaquina Maria Angélica Borges de Almeida Aires da Silva, nasceu em Paçô, na freguesia de Cedrim e foi baptizada a 7.9.1767, tendo por padrinhos o padre Manuel de Bastos, de Currais, na freguesia de Junqueira, e Vicência, solteira, filha de Valentim Tavares, de Cedrim. Casou com Valentim de Arêde Tavares, nascido a 29.8.1770 na casa de Lourizela, e baptizado a 14.9 do mesmo ano, 6º morgado da Mourisca do Vouga e administrador da capela do Bom Jesus, 4º morgado de Lourizela, 8º senhor da casa de Lourizela, e 8º senhor da casa da Mourisca, filho de Manuel de Arêde Tavares e de sua mulher Maria Ferreira, referidos no nº VII do § 2º do título ARÊDE, no nº 12 de «Raízes & Memórias», com geração nos Morgados de Lourizela / Morgados da Mourisca do Vouga, na Aguieira / Arêde Soveral, que aí se segue.

     
o que resta da Casa de Lourizela

Casa da Mourisca


[1] Manuel Abranches de Soveral – Ascendências Visienses, vol. I, título Vaz Soares. Deste título transcreve-se o texto referente à descendência de Manuel Homem Soares, com excepção da descendência de Catarina de Almeida, sua filha, integralmente desenvolvida pelo autor destas notas.
[2] Cordeiro de Sousa – Inscrições Portuguesas de Lisboa, a págs. 171.
[3] Manuel Soares de Albergaria Paes de Mello – Soares de Albergaria, a págs. 321.
[4] IAN/TT – chancelaria da antiga ordem de Cristo, L.17. fl.262.
[5] IAN/TT – chancelaria da antiga ordem de Cristo, L.17. fl.262.
[6] IAN/TT – chancelaria da antiga ordem de Cristo, L.17. fl.262v.
[7] IAN/TT – chancelaria da antiga ordem de Cristo, L.9, fl.155.
[8] IAN/TT – chancelaria de D. Sebastião, D. Henrique e D. António, L.41 fl.47v.
[9] IAN/TT – chancelaria de D. Manuel, L.23 33v.
[10] Para a sua ascendência vide http://geneweb.inria.fr/roglo?lang=pt;.
[11] A ascendência de Beatriz de Almeida está estudada por Manuel Abranches de Soveral – Ascendências Visienses, vol. I, título Almeida de Moçâmedes, e está disponível on-line em http://geneweb.inria.fr/roglo?lang=pt;.
[12] Manuel Abranches de Soveral – Ascendências Visienses, vol. I, título Almeida de Moçâmedes.
[13] António Borges, era dos Borges da casa da Arrifana de Santa Maria, na Feira, donde procedem os da casa da Ínsua, de Cucujães (povoações que distam cerca de 5 quilómetros uma da outra). Houve aliás vários casamentos entre estes Borges e os Pinhos da Arrifana de Santa Maria. A título de exemplo veja-se o casamento de André Borges da Costa com Maria Soares de Leão (sobrinha materna de Maria de Pinho, mulher deste António Borges) com quem António de Souza-Brandão dá início ao seu § 15 de «Soares de Vale de Cambra» (que curiosamente Alão de Moraes no tomo II, vol. I, a págs. 344 da sua «Pedatura Lusitan chama André Borges de Almeida, apelido que veio a ser usado pelo menos por uma neta de Maria de Pinho e António Borges). Por outro lado, uma filha de Maria Soares de Leão e de André Borges da Costa, Joana Borges de Miranda viria a casar com o seu primo Aleixo Borges da Costa, neto materno de Fernão de Pinho Sampaio (tio materno de Maria de Pinho), e Maria da Costa de Pinho (filha do mesmo Fernão de Pinho Sampaio) foi casada com Tomé Borges, da Arrifana de Santa Maria, irmão de Francisco Borges de Mascarenhas, que herdou a Casa da Arrifana e que casou com Ana de Matos Soares, por sua vez bisneta de Diogo Vaz de Pinho, também tio materno de Maria de Pinho. Veja-se a este propósito António de Souza-Brandão – Moutinhos de S. João da Madeira e Pinhos da Arrifana de Santa Maria. António Borges será assim o mesmo que Felgueiras Gayo identifica no seu título de Borges, no nº 10 do § 5º como 3º filho de Francisco Borges, 2º senhor da Casa da Arrifana de Santa Maria, na Feira e de sua mulher (casados na freguesia de Reima [?]) D. Maria Machado, filha de António Machado, e assim tio paterno de Francisco Borges Mascarenhas. Francisco Borges era filho de Fernão Borges, 1º senhor da casa da Arrifana de Santa Maria, em Vila da Feira, moço da câmara do duque de Bragança quando em 1513 teve carta de brasão de armas (por mercê do Rei D. Manuel I, para Borges (IAN/TT – chancelaria do Rei D. Manuel I, L.17 fl. 69v e L.5 fl.98v (vide Visconde de Sanches de Baena – Arquivo Heráldico e Genealógico, a págs. 164) e de sua mulher D. Catarina Tavares; e neto por varonia de Garcia Borges, nascido cerca de 1444 e morador na Terra da Feira, dito cavaleiro da Casa do infante D. Pedro na carta de armas do filho, mas que pela cronologia não pode ser o Infante-Regente, devendo portanto ser seu filho homónimo, o condestável D. Pedro (1429-66), que no fim da vida foi brevemente rei de Aragão (1465), e de sua mulher D. Leonor Rodrigues de Almeida. Garcia Borges era filho de Lopo Borges que serviu a Casa de Bragança e que por morte do Duque D. Fernando foi para a Terra da Feira onde «viveu sempre em Lei de Fidalgo», e que deve ver o Lopo Borges, morador em Coimbra a 15.7.1451 quando o Rei D. Afonso V, perdoa por ter estado na batalha de Alfarrobeira com o infante Dom Pedro, e/ou o Lopo Borges, escudeiro, morador em Vila do Conde a 31.12.1466 quando teve carta de privilégio do Rei isentando-o de diversos encargos ao concelho; neto paterno de Rui Borges, nascido cerca de 1376, 3º senhor de juro e herdade de Alva (3.7.1449), Alcaide-mor de Santarém, vedor da fazenda e camareiro-mor do Rei D. Duarte, que teve os senhorios por desistência e doação de seu sobrinho Diogo Borges (que lhe foram confirmadas pelo Rei D. Afonso V por mercê de 3.7.1449 e novamente confirmadas pelo Rei D. Manuel I por mercê de 10.6.1497), foi ainda senhor do couto de Avelãs de Cima, de Ferreiros, do reguengo de Quintela, de Arcos, de Ílhavo, da vila de Milho, de Casais de Sá, etc., e dos padroados de São Martinho de Alva e Santa Maria de Papião, esteve em Ceuta quando o Rei de Granada a cercou, e foi 1º senhor da quintã de Carvalhais, no termo da vila de Oliveira (Mesão Frio), e de sua mulher D. Antónia Telles, filha natural de D. Lopo Dias de Sousa, nascido cerca de 1368 e falecido ante de 9.2.1419 sendo sepultado no convento de Cristo em Tomar, mordomo-mor da rainha D. Filipa, 8º mestre da ordem de Cristo (1381), 18º senhor da Casa de Sousa, 6º senhor da Mafra e Ericeira (1371), 1º senhor de juro e herdade de Miranada do Corvo (27.7.1398), etc., o qual era sobrinho materno da Rainha D. Leonor Teles e trisneto do Rei D. Afonso III. Rui Borges por sua vez era filho de João Gonçalves Borges, senhor de juro e herdade de Alva, senhor de Gestaço (Amarante), de Carvalhais (Mesão Frio), Ferreiros (Tondela ou Anadia?), do reguengo de Quintela (Moita, Anadia?), e dos padroados das igrejas de São Martinho de Alva e Santa Maria de Papião e São Miguel de Mamouros, todas em Castro Daire, bem como do jantar do couto de Santa Eulália de Rio de Asnes e da honra de Calvos, e de sua mulher [Senhorinha] do Rego; neto paterno de Gonçalo Anes Borges, nascido cerca de 1310, senhor de juro e herdade de Alva, senhor de Calvos, em Guimarães, da portagem do Arco de Baúlhe e de Ourilhe, em Basto, e que aparece em 1365 entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos naturais de Grijó de 1365, e de sua mulher Catarina Vasques de Góis (que as genealogias dão como filha de Pedro Vasques de Góis, «o Pedra Alçada», e neta de Álvaro Vasques de Góis, escrivão da puridade de D. Pedro I e D. Fernando, a quem este rei deu o senhorio de Pedra Alçada, coutou as suas quintãs de Pedra Alçada e Jacarabotão e doou o castelo de Serpa, e de sua mulher Violante Lopes de Albergaria, filha de Lopo Soares de Albergaria e de sua mulher Mécia Rodrigues de Vasconcelos, mas a cronologia não o permite, pelo que aquela Catarina Vasques de Góis devia na verdade ser irmã do Álvaro Vasques de Góis que as genealogias lhe dão por avô). E Gonçalo Anes Borges era trisneto por varonia de Rodrigo Anes Borges, o 1º deste apelido, cavaleiro da Torre de Moncorvo que, segundo a opinião da generalidade dos genealogistas, serviu o rei de França Filipe II (1180-1223), onde se celebrizou como “chevalier de Bourges”, ao derrotar as tropas infiéis a este soberano, defender a cidade de Bourges e causar mais de sete mil mortos ao inimigo. Por este acto heróico, Rodrigo Anes terá acrescentado ao seu escudo a bordadura semeada de flores de lis e tomado o nome de Bourges, que em português deu Borges. (nota corrigida e aumentada a partir de «Ascendência Visienses» de Manuel Abranches de Soveral, título Borges.
[14] Foram irmãos de André Borges Homem, do primeiro casamento de sua mãe, referidos por Alão de Moraes: 1. Fernão Borges, que foi grande soldado no Índia; 2. Antónia Borges, casada duas vezes: a 1ª com Diogo Marques, e a 2ª com Gomes da Costa, da quinta da Ínsua, e que teve dois filhos do 1º casamento e três do 2º, a saber, e por ordem: 2.1. frei António Baptista, frade de São Francisco; 2.2. Vitório de Matos; 2.3. Gomes da Costa, que foi para a Índia; 2.4. Diogo Borges; 2.5. Manuel Borges, que também foi para a Índia. Maria de Pinho depois de viúva casou 2ª vez com Pedro Ferreira Coelho, e foram seus filhos, também referidos por Alão de Moraes: 1. Cristóvão Coelho, que foi para a Índia; 2. Pedro Ferreira Coelho; 3. Catarina Ferreira; 4. Joana Coelho.
[15] Sobejamente referida por Rangel de Quadros e Maia, Alão de Moraes e António de Souza-Brandão, nomeadamente nos seus trabalhos «Moutinhos de São João da Madeira e Pinhos da Arrifana de Santa Maria» e mais recentemente em «Soares de Vale de Cambra», em «Ul-Vária», tomo III, casada com Pedro Soares, no nº II, filho de Fernão Soares.
[16] Manuel da Costa Felgueiras Gayo em «Famílias de Portugal», no título de Homens, apresenta a hipótese de Pedro Homem da Costa ser filho segundo de Pedro Homem e neto paterno de Heitor Homem, guarda-roupa do Rei D. João II, e de sua mulher D. Isabel Pacheco, moça da câmara da Rainha D. Leonor.
[17] Parece que filha natural de Vasco de Miranda, abade de Cucujães, que em 1484 recebeu do Rei D. João II privilégios para os seus criados, e de D. Isabel Gomes, dos Gomes da Costa Côrte-Real, senhores dos morgadios de São João da Madeira e de Gafanhão (vide Maurício Antonino Fernandes e Manuel Pires Bastos – Macinhata da Seixa).
[18] A este propósito diz Alão de Moraes no início do ttº de Pinhos que Lourenço Anes de Pinho era irmão de Gonçalo Anes de Pinho e estes dois irmãos eram ainda «segundo dizem» irmãos de D. Lourenço Martins do Avelar e filhos do mestre da ordem de Aviz D. Martim de Avelar. Porém José Augusto de Sottomayor Pizarro em Linhagens Medievais Portuguesas, aceita por hipótese que Lourenço Anes de Pinho (que identifica como Lourenço Anes) e Gonçalo Anes de Pinho fossem filhos de Estêvão Pires de Soveral (que identifica como Estêvão Pires) e de uma senhora de apelido Anes de Pinho, filha de João Lourenço de Pinho, e a Lourenço Anes (de Pinho) dá-lhe uma filha com o nome Beatriz Lourenço, certamente a referida D. Brites (Anes) de Pinho. Adianta ainda que Lourenço Martins do Avelar era efectivamente filho do mestre da ordem de Aviz D. Martinho do Avelar (tendo sido legitimado em 1387 pelo Rei D. João I), mas acrescenta que este último seria filho de Martim Esteves do Avelar (Freire), por sua vez filho do 2º casamento de Estêvão Dias de Mouriz, e assim irmão de outro Martim Esteves do Avelar casado com D. Sancha Gonçalves de Milheirós da Maia, referidos no nº I do título SOVERAL (em «Raízes & Memórias», nº 13). Quanto a Estêvão Pires de Soveral trata-se dum irmão de Martim Pires de Soveral que é referido no nº I do título SOVERAL, e ambos filhos de Pedro Martins do Soveral casada com D. Maria Lourenço de Portocarreiro. Esta versão não é partilhada no entanto por Manuel Abranches de Soveral.
[19] Domingos Jorge da Costa e Maria Jorge Aires foram pais de pelo menos mais dois filhos: 1. Domingos, padrinho de seu sobrinho Caetano a 11.10.1716 em Roge; 2. Maria, solteira a 14.10.1716 quando surge a amadrinhar em Roge uma criança de nome Ana filha de João de Almeida e de Maria da Costa, de Sandiães.

Esquema Genealógico

SOVERAL

desenho de Manuel Abranches de Soveral

obtido em http://geneweb.inria.fr/roglo?lang=pt;.
senhores da honra de de Soveral (Lafões) e da honra da Lapa (Sernancelhe), morgados de São Teotónio de Sernancelhe

SOARES DE ALBERGARIA

 

 

 

 

 

 


senhores da Albergaria de São Mateus e do morgado e capela de Santo Eutrópio

BORGES


 

 

 

 

 

 


senhores da Casa da Arrifana de Santa Maria (Feira), fidalgos da cota de armas 1513

  Lourenço Fernandes de Soveral
1º senhor da Casa da Deveza de Alvarelhos (Oliveira do Conde)

casou com  Maria de Carvalho

  Manuel Homem Soares
casou com
Brites de Almeida
  António Borges
casou com
Maria de Pinho

João de Soveral,
sucessor, capitão, cavaleiro fidalgo da Casa Real, 1º senhor da Casa da Torre (Oliveira do Conde) e 2º Senhor da Casa de Alvarelhos

casou com
Luísa da Fonseca
Catarina de Almeida
casou com
André Borges Homem
casou com
João de Soveral,
sucessor, capitão, moço da câmara do Rei D. João IV, 2º Senhor r. da Casa da Torre e 3º senhor da Casa de Alvarelhos
casou com
Domingas Tavares
Antónia Borges de Almeida
casou com
Domingos Gomes

Domingos de Soveral Tavares,
sucessor, capitão, 4º senhor da Casa da Torre e 5º Senhor da Casa da Deveza
casou com
Maria Lopes Borges

Antónia Borges de Almeida
casou com
Mateus de Bastos

Manuel de Soveral Tavares,
sucessor, licenciado, 1º morgado da Deveza de Alvarelhos, 5º senhor da Casa da Torre e 6º senhor da Casa de Alvarelhos
teve de
Domingas da Fonseca

Joana Borges de Almeida
casou com
Caetano Jorge da Costa

Manuel da Fonseca de Soveral Tavares (legitimado)
sucessor, licenciado
casou com
D. Bernarda Maria Joaquina do Sacramento de Jesus de Pinho, senhora da Casa da Rua Larga (Aveiro)

Quitéria Borges de Almeida
casou com
Caetano Tavares da Silva, capitão

Bernardino António de Soveral Tavares,
sucessor, juiz desembargador, cavaleiro da ordem de Cristo, senhor do prazo de Arrudel
casou com
D. Antónia Joaquina Cândida de Passos Lima

D. Joaquina Maria Angélica Borges de Almeida Aires da Silva,
casou com
Valentim de Arêde Tavares, 6º morgado da Mourisca do Vouga, 4º morgado de Lourizela, 8º senhor das Casas de Lourizela e da Mourisca

D. Escolástica Rosa Torres (filha natural)
casou com
João José Dias Brandão

D. Isabel Henriqueta Maria de Soveral Tavares de Passos Lima, sucessora
casou com

Manuel de Arêde Tavares,
sucessor, capitão, 7º morgado da Mourisca do Vouga e 5º morgado de Lourizela, 9º senhor das Casas  de Lourizela e da Mourisca
casou com

D. Maria Bernardina Dias Brandão

casou com

Bernardino Passos de Arêde Soveral Tavares,
sucessor, juiz desembargador, 9º morgado da Mourisca do Vouga e 6º morgado de Lourizela, senhor do prazo de Arrudel

casou com

A Família Arêde Soveral

Para enviar informações sobre esta matéria