Luís Soveral Varella
Genealogia

RAMOS DE MEXIA DE CAMPO MAIOR

MEXIA FOUTO
E

MEXIA DE MENDONÇA

  

Percorrendo os registos paroquiais de Campo Maior deparamos com o facto uma grande parte dos assentos se referirem a pessoas com o apelido Mexia. Torna-se por conseguinte por vezes muito difícil distinguir os que são realmente descendentes do tronco, dito ramo «verdadeiro» dos Mexia, como o trazem as genealogias tradicionais, e os outros que por uma ou outra razão adoptaram este apelido. Em Dezembro de 2001 a revista «Genealogia e Heráldica» do Centro de Estudos de Genealogia, Heráldica e História da Família Universidade Moderna do Porto, nºs 5/6, Tomo 1, de Janeiro/Dezembro 2001, publicou sob o título «Famílias do Alentejo I», no capítulo II, a págs. 433 da autoria do dr. António Luiz de T. C. Pestana de Vasconcellos um interessante estudo que versou uma ou outra linha desta família. O presente apontamento é mais uma contribuição para o estudo dessa família, que como é óbvio, não se esgota nestas linhas.

 

MEXIA FOUTO

 

1. Pedro Afonso Fouto, nasceu por volta de 1470. Foi fidalgo da Casa Real por mercê do Rei Dom João II (António Luiz de T. C. Pestana de Vasconcellos – op. cit.) e valido deste Rei. António Pestana de Vasconcellos acrescenta que foi vassalo do Rei D. Pedro I, pessoa muito nobre e natural da vila de Campo Maior. Era, de acordo com Manso de Lima, título de Foutos (título este, que de acordo com o próprio autor, é tirado do manuscrito de Fernando Mesquita Barba), descendente de João Vicente «do Castelo do Campo», alcaide-mor do castelo de Campo Maior.

1.1. Martim Afonso Fouto, com quem se continua.

 

2. Martim Afonso Fouto, nasceu por volta de 1515, provávelmente em Campo Maior onde foi morador. Foi fidalgo da Casa Real (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 59, e Diogo Rangel de Macedo em título de Foutos, BN – secção de reservados, colecção pombalina – PBA 377, foro que Manso de Lima não lhe dá. Casou, provávelmente em Campo Maior, com sua parente Isabel Fernandes, nascida cerca de 1515 certamente em Campo Maior, filha de Afonso Fernandes Mexia, nascido cerca de 1470, e de sua mulher Catarina Lopes; neta paterna de Pedro Afonso Vicente o Velho e de sua mulher Maria Mexia; bisneta por varonia de Afonso Vicente do Campo e de sua mulher Catarina Lopes, irmã de Diogo Lopes Prioreço (António Pestana de Vasconcellos, op. cit). Afonso Vicente do Campo, nascido cerca de 1410, e sua mulher Catarina Lopes são referidos na carta de brasão de armas de seu neto Lopo Mexia, datada de 16.11.1507, escrivão da câmara e do tesouro do Rei D. Manuel (condição na qual assina vários documentos pelo menos entre 1496 e 1502), e feitor da Casa da Índia. Era filho de Rodrigo Anes [Vicente], nascido cerca de 1380 e ainda vivo em 1422, quando a 4.5 desse ano Rei D. João I faz mercê de todos os seus bens móveis, bem como dos bens da sua capela instituída por seu pai na igreja de Santa Clara de Campo Maior, a Rui Vasques seu criado, tendo Rodrigo Anes perdido a administração dos mesmos por deserviço ao reino e ao Rei (TT – chanc. D. João I fl.10v); e neto paterno de João Vicente [do castelo de Campo], nascido cerca de 1345 e falecido em 1411, fidalgo e alcaide-mor de Campo Maior que instituiu os seus bens em morgadio vinculados à capela que mandou construir na igreja de Santa Clara em Campo Maior, onde foi sepultado com as suas armas, referido no documento citado (que de acordo com as genealogias tradicionais eram um escudo com um castelo torreado com uma espada dentro), e de sua mulher Maria Anes Calvino. Maria Mexia, que ficou acima casada com Pedro Afonso Vicente, era filha de Lopo Vaz Mexia, cavaleiro nascido cerca de 1407, que foi morador me Campo Maior; neta paterna de Gonçalo Vaz Mexia, cavaleiro nascido cerca de 1375, fidalgo de solar, licenciado e mestre em artes e que esteve cativo em Tânger; e bisneta de D. Fernão Rodrigues Mexia, nascido cerca de 1320 em Medelim, comendador-mor da ordem de Santiago, cavaleiro fidalgo da Casa Real e fidalgo da cota de armas, que passou a Portugal, e de sua mulher Maria Rufel, todos referidos na carta de brasão de armas de seu neto Lopo Mexia, datada de 16.11.1507.

2.1. Pedro Mexia Fouto, com quem se continua.

2.2. Martim Afonso Fouto, viveu em Campo Maior no tempo dos Reis D. João III e D. Sebastião e é referido na habilitação para o santo ofício de seu neto Martim Afonso Mexia (TT – HSO, Martim m.1 d.4, com inquirições feitas em Campo Maior a 2.4.1621). Casou em Campo Maior com Maria Lourenço, falecida a 28.9.1599 em Campo Maior (A.M.E. – RP, Campo Maior, M(1593-1616), fls. 147 v., de acordo com António Pestana de Vasconcellos, op. cit.). Deste casal houve larga descendência (vide António Luiz de T. C. Pestana de Vasconcellos op. cit.) de entre os quais seu filho D. Martinho Afonso Mexia, 4º bispo de Coimbra e 8º conde de Arganil, bispo Leiria e Lamego e governador do reino, cargo em morreu a 30.8.1623 sendo sepultado ma igreja matriz de Campo Maior, na capela de Nossa Senhora da Dores com as suas armas – escudo esquartelado: I e IV – armas de João Vicente do Campo; II e III – Mexia;  elmo encimado por chapéu eclesiástico com cordões de 6 borlas pendentes de cada lado.

2.3. Jorge Fernandes Fouto (António Pestana de Vasconcellos, op. cit.).

2.4. Inês Martins Fouto, casou com seu primo Pedro Gonçalves Centeno, filho de João Centeno, cavaleiro castelhano que indo morar para Campo Maior aí serviu de vereador e juiz de fora, e de sua mulher Inês Fernandes Mexia (vide António Pestana de Vasconcellos, op. cit., onde segue a sua descendência).

2.5. Afonso Fernandes Fouto, apenas referido por Manso de Lima.

 

3. Pedro Mexia Fouto ou Pedro Afonso Fouto, referido por Manso de Lima, título de Foutos, § 4, Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 66 e Diogo Rangel de Macedo, título de Foutos. Nasceu em Campo Maior por volta de 1535 onde foi morador. Casou por volta de 1559 na mesma vila.

3.1. Martim Afonso Fouto, com quem se continua.

 

4. Martim Afonso Fouto, referido por Manso de Lima, título de Foutos, § 4, Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 66 e Diogo Rangel de Macedo, título de Foutos. Nasceu cerca de 1560 em Campo Maior onde foi morador, bem como em Ouguela, no termo dessa vila. Casou com […] França, nascida em Ouguela, de acordo com os mesmos autores.

4.1. Pedro Afonso Fouto, referido por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 66, e Diogo Rangel de Macedo, título de Foutos.

4.2. Jorge Fernandes Fouto, com quem se continua.

4.3. Maria Gonçalves, nasceu por volta de 1588 em Campo Maior, e a quem Felgueiras Gayo chama Gonçalves França. A habilitação para a ordem de Cristo de seu neto Pedro Mexia Fouto refere expressamente que tanto esta senhora como seu marido e seu filho António Mexia Fouto eram pessoas nobres. Casou com João Gonçalves, aí nascido.

4.3.1. António Mexia Fouto, nasceu em Campo Maior por volta de 1608 (TT – HSO – letra M, m. 7, d. 212, onde surge apenas como António Mexia). Manuel da Costa Juzarte de Brito em «Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre», título de Andrades, de acordo com a recente publicação da mesma depois de anotado corrigido e actualizado por Nuno Borrego e Gonçalo de Mello Guimarães dá-lhe erradamente por pai Pedro Mexia Fouto como se verifica do referido processo de habilitação para o santo ofício. Quanto a esse Pedro Mexia Fouto, embora não o tenha ainda indubitavelmente filiado, trata-se certamente do mesmo que António Luiz de T. C. Pestana de Vasconcellos, op. cit., trás tratado no nº VI, concorrendo para isso a cronologia e o facto de ambos terem sido fidalgos da Casa. Este Pedro foi ainda cavaleiro da Ordem de Cristo a 26.3.1649, professo a 26.5.1649 e com o hábito na mesma data, sendo nomeado em todos os 3 documentos por fidalgo da Casa (TT – chanc. da OC, L.40 fls. 211v. e 212), teve alvará de proprietário do ofício de tabelião do judicial da comarca de Elvas a 13.4.1667 (TT – chanc. de D. Afonso VI, L.9 fl. 172v.), carta de tabelião do judicial da cidade de Elvas a 25.4.1667 (TT – chanc. de D. Afonso VI, L.7 fl. 300v.), carta de juíz da alfândega de Campo Maior a 18.3.1668 (TT – chanc. de D. Afonso VI, L.12 fl.317v.), e alvará de 70$000 reis de tença e promessa de 50$000 reis de pensão pelos seus serviços (TT – TT, L.24 fls. 298-299). António Mexia Fouto casou com Maria Coelho, nascida em Elvas, que foi padeira depois de viúva, filha de Afonso Fernandes, almocreve, e de sua mulher Ana Fernandes, ambos naturais desta cidade ou de Vila Viçosa (TT – HSO – letra M m.7 d.212, e letra A m.2 d.26). Manuel da Costa Juzarte de Brito, op. cit. dá-lhe erradamente como mulher Inês Mendes da Silva. Quanto à naturalidade dos pais da noiva as testemunhas não são unânimes prevalecendo no entanto a naturalidade de Vila Viçosa.

4.3.1.1. Pedro Mexia Fouto, nasceu em Elvas por volta de 1630. Foi capitão  de ordenanças de Elvas eleito pelos oficiais de cavalaria onde serviu desde 1662, cavaleiro professo na Ordem de Cristo a 11.8.1684 (TT – HOC – letra P m.11 d.152), com padrão de 60$000 reis efectivos dos quais recebeu 12$000 reis com o hábito pagos em qualquer almoxarifado do reino a 7.8.1682, alvará para se armar cavaleiro a 4.9.1684, alvará de profissão e ainda carta para se lhe lançar o hábito, na mesma data (TT – chanc. OC – L.73 fl.356 e L.58 fl.s358, 358 v. e 359), familiar do santo ofício por carta de 17.5.1678 (TT – HSO – Pedro, m.7 d.212), escrivão do judicial e notas da câmara de Elvas e aí vereador, juiz comissário durante 37 anos tendo conseguido isentar a vila  de Campo Maior do imposto de um milhão lançado pelo Rei D. Pedro II. Em 1673 serviu de executor da cidade de Elvas cobrando 4 575$300 reis em dinheiro que entraram nos cofres desta cidade. E em 1681 serviu de vereador e juiz da ordenação. Teve a mercê de cavaleiro do hábito de Cristo em remuneração dos feitos de seu tio o sargento-mor João Rodrigues Mouro, que serviu durante 32 anos entre 1648 e 1680. Este João Rodrigues Mouro era de acordo com a habilitação para a ordem de Cristo de Pedro Mexia Fouto natural de Olivença e filho de Pedro Antunes Mouro. Serviu de 1648 a 1680 de ajudante das obras [engenheiro] das fortificação de Olivença, foi bom soldado até ao ano de 1653 e a seguir na vila de Setúbal no exército da fortificação com os postos de capitão de infantaria e sargento-mor com a ocupação de engenheiro. Fez obras nos baluartes da praia que vai para S. Domingos, forte S. Luís Gonzaga, parapeitos de S. Filipe e outras fortalezas na Arrábida, Balieira, Nossa Senhora de Cabo, Ribeira de Lago, fortificação de Sesimbra e fortaleza do Cavalo. Em 1663 passou a Alcácer para a fortaleza e em 1664 assistiu na de Sesimbra quando a armada de Castela avistou aquela praça, e na de Palmela desenhou as obras da sua fortificação […] Ocupou-se do ensino de artilheiros […] e tomou conta das obras da fortaleza da ilha do Pessegueiro e Sines deslocando-se à custa da sua fazenda. Em atenção a isso fez mercê a seu sobrinho António da Silveira Linhares do hábito da ordem de Cristo com 60 000 reis efectivos dos quais logrará apenas 12 000 reis do dito hábito. Por despacho de 1.6.1682 e na impossibilidade de António da Silveira Linhares receber a dita mercê, esta passa a outro seu sobrinho Pedro Mexia Fouto. Finalmente para o outro sobrinho, Bento Rodrigues Mouro, clérigo do hábito de S. Pedro, mercê de decreto de recomendação para capelão da Casa de Bragança e para as igrejas conforme merecimento, sendo passado o decreto em Lisboa a 26.8.1681. Casou  duas vezes: a primeira com Joana Gomes (a); a segunda, a 2.2.1658 em Campo Maior com Francisca Mendes Falcato (b) (ou da Silva, de acordo com Manuel da Costa Juzarte de Brito, op. cit.), baptizada em Elvas a 11.3.1637, filha de Manuel Coelho Falcato e de  sua mulher Joana Mendes da Silva, criada da duquesa de Bragança (de acordo com Manuel da Costa Juzarte de Brito, op. cit.), naturais de Elvas; neta paterna de Rui Dias e de sua mulher Maria Coelho; e neta materna de André Correia e de sua mulher Maria Mendes, todos de Elvas (TT – HSO – letra M m.7 d.212). Com descendência seguida por Manuel da Costa Juzarte de Brito, op. cit.

4.3.1.2. Afonso Mexia, nasceu em Elvas. Padre religioso da companhia de Jesus, leitor de teologia controversa no colégio de S. Patrício em Lisboa, familiar do santo ofício por carta de 22.4.1679 (TT – HSO – Afonso m.2 d.26), doutorado em teologia na universidade de Évora, lente de Prima e qualificador do santo ofício.

4.4. Beatriz França, referida por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 66, e Diogo Rangel de Macedo, título de Foutos.

? 4.5. Francisco Mexia Fouto, nasceu no último quartel do séc. XVI e era descendente de Martim Afonso Fouto e de sua mulher Isabel Fernandes referidos no nº 2, casal com que se dá início o ramo Mexia Fouto, justificando assim o seu apelido. Estou em querer que deveria ser seu bisneto e muito provávelmente filho de Martim Afonso Fouto e de sua mulher referidos no nº 4. Condiz com esta convicção quer a cronologia quer as relações familiares, quer o facto de ter nascido em Ouguela, junto a Campo Maior, onde foi morador o padre Jorge Fernandes Fouto seu presumível irmão. Esta filiação está aliás em acordo com dispensa matrimonial que tiveram António Mexia Fouto e Maria da Conceição do Couto Mexia, referidos adiante, com o único senão de o seu assento de casamento referir parentesco em 3º grau canónico e de acordo com a filiação de Francisco Mexia Fouto, eles eram parentes em 4º grau. Surge nos paroquiais de Campo Maior o baptismo de um Francisco, a 3.12.1572, filho do dr. Diogo Mexia e de sua mulher Constança Rodrigues, de quem foram padrinhos Bernardo Fernandes e Isabel Rodrigues. Não creio que haja alguma hipótese de se tratar do mesmo Francisco. Viveu em Campo Maior onde foi morador e rico proprietário, nobre e da governança da vila, tendo ocupado várias vezes os lugares de vereador (BPADEV – IG, Francisco Mexia Fouto, inquirições de 28.3.1684 em Elvas, e TT – HSO, m.27 d.678). Casou a 15.1.1617 em Campo Maior tendo assistido ao acto como testemunhas Manuel Álvares e o padre Afonso Rodrigues com Maria Fernandes, daí natural, irmã de Diogo Mexia «o bonito» (casado com Maria Fernandes de Aguilar, cristã-nova presa nos cárceres da inquisição de Évora em 1664 juntamente com seus três filhos – TT – IE, 7651, Maria Fernandes de Aguilar; 9205, Pedro Vaz de Aguilar; 8328, Francisco Mexia; 9287, Manuel Mexia[1]) e ambos filhos de Francisco Mexia, lavrador, e de sua mulher Isabel Fernandes, «cristãos-velhos» naturais e moradores em Campo Maior, ambos já falecidos em 1664 (TT – IE, 7651, Maria Fernandes de Aguilar; 9205, Pedro Vaz de Aguilar; 8328, Francisco Mexia; 9287, Manuel Mexia).

4.5.1. Guiomar, baptizada a 26.12.1617 em Campo Maior.

4.5.2. Manuel, baptizado a 4.8.1619 em Campo Maior, tendo como padrinhos o padre Manuel Fernandes e Maria Borrego.

4.5.3. João Mexia Fouto «o torresmo», (TT – IE, 7651, Maria Fernandes de Aguilar; 9205, Pedro Vaz de Aguilar; 8328, Francisco Mexia; 9287, Manuel Mexia; TT – HSO, Fernando m.6 d.103), nasceu em Campo Maior por volta de 1620 onde foi rico proprietário e da governança da vila, aí várias vezes vereador e juiz de fora e provedor da Santa Casa da Misericórdia. Surge em Campo Maior a 19.4.1686 a apadrinhar seu parente António Mexia Fouto referido adiante. Casou com Maria Vaz, filha de Domingos Fernandes «o prior» e de sua mulher Maria Lopes, que foram moradores na sua herdade do Baldio em Elvas, gente nobre e principal; e neta materna de Belchior Fernandes e de sua mulher Isabel Mexia. Domingos Fernandes «Prior» deverá ser parente ou até o mesmo que Domingos Fernandes Prior que foi casado com Inês Lopes de quem foram filhas: Maria, baptizada a 26.5.1641 em Campo Maior tendo por padrinhos Luís Galvão e Catarina Fernandes, e outra Maria, baptizada a 2.9.1642 tendo por padrinho Manuel da Silva Peixoto, sargento-mor desta vila.

4.5.3.1. Maria Mexia Fouto, (TT – HSO, Fernando m.6 d.103), baptizada a 24.2.1660 em Campo Maior tendo por padrinhos Francisco Nunes e Maria Lopes, que deve ser a sua avó materna. Casou na mesma vila com João Pereira Mexia (TT – HSO, Fernando m.6 d.103), capitão, que viveu na rua direita em Campo Maior, filho de António Mexia Pereira e de sua mulher e prima Catarina Vaz (TT – HSO, Fernando m.6 d.103); neto paterno de João Pereira Mexia e de sua mulher Catarina Vaz Pereira; e neto materno de Fernão do Rego Pereira, cavaleiro da ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. Ana de Sousa Galvão (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 55). João Pereira Mexia surge juntamente com Ana de Sousa Galvão a 20.4.1682 em Campo Maior a apadrinhar o baptismo de seu parente o padre Manuel Mexia Fouto.

4.5.3.1.1. Diogo Mexia Galvão Caiola, baptizado a 20.4.1681 em Campo Maior, tendo por padrinhos João Centeno Mexia e Diogo Pereira. Foi fidalgo da Casa Real, sargento-mor de ordenanças de Campo Maior em 1735 por falecimento de Francisco Pires Cotão. Casou com sua parente Leonor Pereira Galvão, baptizada a 2.3.1684 tendo por padrinho D. Bernardo de Fresneda e Melo, filha única e herdeira de Francisco Vaz Caiola, capitão de ordenanças de Campo Maior, e de sua mulher Maria Galvão Carrasco Mexia. Com descendência que se desenvolve de acordo com Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 85.

4.5.3.1.1.1. Francisco Vaz Caiola Galvão, baptizado a 15.6.1720 em Campo Maior onde morreu a 14.4.1766 e onde viveu e foi muitas vezes vereador, e juiz, e provedor da misericórdia. Foi senhor da casa de seu pai, sargento-mor das ordenanças de Campo Maior, familiar do santo ofício por carta de 1754 a 23.6.1750 (TT – HSO, Francisco m.79 d.1394) justificou a ascendência a fim de se lhe passar carta de brasão de armas dos Mexias, e foi pagador geral do exército na guerra de 1762. Casou a 15.5.1741 em Campo Maior, matriz, sendo testemunhas D. frei Rodrigo de Aguilar e André Barradas Zuzarte, com sua parente D. Isabel Mexia Bernardo de Sequeira Galvão, que morreu a 9.5.1760, filha de Lourenço Lopes Galvão, capitão de ordenanças, e de sua mulher Beatriz Mexia Bernardo; e neta paterna de João Bernardo Pereira e de D. Francisca de  Sequeira Galvão, referidos na carta de brasão de armas de Pedro Afonso Galvão (AHG – TT – Cart. da Nobreza, L.V fl.172v.).

4.5.3.1.1.1.1 Diogo Mexia Galvão, baptizado a 17.2.1742 em Campo Maior tendo por padrinho André Mexia Bernardo.

4.5.3.1.1.1.2. Lourenço Caetano Galvão Mexia Caiola, baptizado a 18.3.1756 em Campo Maior, matriz. Foi licenciado em canônes, opositor aos lugares de letras, e desembargador do paço, juiz de fora de Monsaraz em 8.8.1791 e juiz de fora e dos órfãos de Chaves a 20.1.1800.

4.5.3.1.1.1.3. João Pereira Mexia, cadete de cavalaria de Évora.

4.5.3.1.1.1.4. D. Beatriz Eugénia Mexia Galvão Caiola, baptizada a 7.5.1759 em Campo Maior. Casou a 29.12.1758 na mesma vila, São João Baptista, com Jorge Galvão de Morais Sarmento, moço fidalgo da Casa Real, filho de José Galvão de Morais Sarmento, fidalgo da Casa Real e de sua mulher D. Catarina Margarida Vicente da Gama Mendes. Sem descendência.

4.5.3.1.1.1.5. D. Leonor Joaquina Pereira, morreu solteira a 12.10.1756 na matriz de Campo Maior.

4.5.3.1.1.1.6. Diogo Mexia de Miranda Galvão Caiola, baptizado a 25.9.1749 na matriz de Campo Maior como o 2º do nome. Sucedeu na casa de seu Pai. Foi sargento-mor das ordenanças de Campo Maior onde serviu no senado, e provedor da misericórdia. Casou duas vezes: a 1ª em 1778 com D. Josefa Gertrudres Cid Broa de Almeida (a), que morreu a 7.7.1789 em Campo Maior, São João Baptista, já viúva do capitão Manuel de Cáceres Mergulhão, cavaleiro da ordem de Cristo, e filha de Gregório Martins Broa, capitão-mor de Assumar, sem descendência. Casou 2ª vez a 1.9.1790 com D. Ana Rita Caldeira Sutil Freire de Miranda (b), com escritura lavrada em Portalegre, filha herdeira de Manuel Caldeira Canelas, morador em Alpalhão, e de D. Rita Joana Sutil Freire de Miranda; neta paterna de Manuel Henriques Delicado, formado em Coimbra e de sua mulher D. Maria Caldeira (filha herdeira de Manuel Caldeira Canelas da Aldeia da Malta, no termo do Crato); e neta materna de João Roberto Freire de Miranda, cavaleiro da ordem de Cristo, natural de Setúbal, sargento-mor de infantaria em Castelo de Vide, tenente-coronel de Lagos por patente de 1774, e de sua mulher D. Maria Eugénia da Mota Subtil.

4.5.3.1.1.1.6.1. (b) Francisco José Caldeira Freire de Miranda Mexia Galvão Caiola, baptizado a 25.6.1791 em Campo Maior, São João Baptista. Com descendência..

4.5.3.1.1.1.6.2. (b) D. Maria do Carmo, baptizada a 18.6.1792.

4.5.3.1.1.2. Maria, baptizada a 18.6.1692 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.1.3. Maria, baptizada a 15.8.1703 em Campo Maior, matriz, tendo por padrinhos Manuel Mexia Fouto e soror Mariana.

4.5.3.1.1.4. Francisco, baptizado a 17.8.1708 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.1.5. João, baptizado a 25.5.1715 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.1.6. António, baptizado a 14.12.1717 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.1.7. Isabel, baptizada a 1.12.1709 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.1.8. Inês, baptizada a 6.11.1711 em Campo Maior, matriz.

4.5.3.1.2. João Mexia Fouto, padre, morreu a 13.1.1741 em Campo Maior.

4.5.3.1.3. Fernando do Rego Pereira (Galvão Mexia – TT – Cart.N. L.1 fl.137), nasceu em Campo Maior onde foi baptizado a 3.3.1683, aí viveu e foi capitão das ordenanças e familiar do santo ofício por carta de 14.10.1753 (TT – HSO, Fernando m.6 d.103), aí juiz e vereador, falecido em 1768, provedor da santa casa da misericórdia e herdeiro do morgadio instituído por seu tio frei Francisco Mexia Fouto, que extinguiu (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90). Casou a 20.7.1705 na matriz de Campo Maior com D. Catarina Vaz Sequeira (TT – HSO, Fernando m.6 d.103, onde surge com o tratamento de dona), filha de Domingos Vaz Mexia e de sua mulher Maria Vicente Carrasco; neta paterna de Diogo Fernandes Mexia e de sua mulher Maria Pereira de Sequeira, casados a 11.2.1641 em Campo Maior, matriz; e neta materna de Afonso Carrasco Mexia, apontador da fortificação e quartel-mestre-general na guerra (que deve ser o mesmo que a 1.7.1679 teve alvará de proprietário do ofício de contador e inquisidor de Campo Maior para o seu filho mais velho – TT – RGM, D. Afonso VI, L.29 fl.204v.), e de sua mulher Catarina Vaz de Sequeira. Domingos Vaz Mexia foi casado 1ª vez com Leonor Aires de Mendonça, filha de Manuel Belo de Ludeu (ou Luden), meirinho do eclesiástico em Portalegre, e de sua mulher Catarina Vaz de Mendonça, todos referidos no § 2º - MEXIA DE MENDONÇA. Diogo Fernandes Mexia e sua mulher Maria Pereira de Sequeira.

4.5.3.1.3.1. João Pereira Galvão, (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90). Casou com […].

4.5.3.1.3.1.1. Fernão do Rego Pereira. Casou com D. Catarina de Tovar Coutinho filha de D. Inês Gonçalves Mexia e de Afonso de Tovar Castelo (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90).

4.5.3.1.3.1.1.1. D. Catarina Vaz Pereira (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90).

4.5.3.1.3.2. D. Rita Teresa, solteira (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90).

4.5.3.1.3.3. D. Isabel Caetana, freira em Santa Cruz de Vila Viçosa (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90).

4.5.3.1.3.4. D. Ana Pereira de Sequeira (TT – HSO, m.175 d.1862. Casou com seu parente Manuel Mexia Fouto Durão referido adiante, onde segue a sua descendência.

4.5.3.1.4. João Pereira Mexia[2], baptizado a 24.6.1679 em Campo Maior tendo por padrinho Pedro Mendes Mexia[3], sucessor no morgadio instituído por seu Pai. Casou a 9.3.1710 em Campo Maior[4] com sua parente Leonor Pereira Caiola, filha de João Pereira Ceia e de sua mulher Joana do Rego Mexia.

4.5.3.1.4.1. João Pereira Mexia, baptizado a 22.4.1714 (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89). Casou com D. Maria da Gama de Figueiredo filha de Gaspar da Gama de Ataíde e Leonor Álvares Mexia.

4.5.3.1.4.1.1. João Pereira Mexia (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89). De acordo com o mesmo autor sucedeu na casa de seu pai e era vereador em Campo Maior em 1794. Casou com D. Maria Ana da Gama natural de Alter do Chão, irmã de Manuel Pedro da Gama Lobo, sargento-mor de Alter do Chão, e ambos filhos de de Domingos Nunes Rosa e de D. […] da Gama Lobo, filha bastarda legitimada de Manuel da Gama Lobo, sargento-mor da praça de Olivença de quem foi também filha bastarda D. Maria da Gama Lobo mulher de Manuel Botelho de Carvalho o qual para cada uma destas filhas instituiu um morgado com que as dotou em casamento.

4.5.3.1.4.1.1.1. Francisco da Gama Lobo Pereira Mexia (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.4.1.1.2. D. […](Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.4.1.2. D. Isabel Mexia. Casou com José Joaquim de Carvalho Aranha, da vila de Assumar, sobrinho do bispo de Pernambuco D. Francisco Xavier Aranha administrador de um dos morgados que ele instituiu. Com descendência (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.3.1.3. D. Maria da Gama Mexia. Casou com Miguel Francisco Cares, estrangeiro, capitão de cavalos reformado. Com descendência. (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.4.2. Afonso Pereira, baptizado a 9.10.1715 e morreu solteiro (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.4.3. Diogo Mexia Galvão (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.1.4.4. Fernão do Rego (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89).

4.5.3.2. Francisco Mexia Fouto, baptizado a 30.1.1663 em Campo Maior tendo por padrinhos João Centeno Mexia e Maria Lopes, provávelmente a sua Avó materna. Frei, ordenado padre a 21.4.1700 (BPADEV – IG, inquirições de 28.3.1684 em Elvas), formado em canônes pela universidade de Coimbra, clérigo de Missa do hábito de S. Pedro, familiar do santo ofício por carta de 28.1.1701 (TT – HSO, Francisco m.27 d.678), notário do santo ofício (provisão de 9.5.1701), provedor da santa casa da misericórdia, etc. Instituiu um morgadio que deixou a seu sobrinho Fernando do Rego Pereira Galvão Mexia (Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 90). Surge a 2.3.1710 na matriz de Campo Maior a testemunhar o casamento de seus primos António Mexia Fouto e Maria da Conceição do Couto Mexia, referidos no nº 8. No seu processo de habilitação há uma nota à margem do vigário da igreja de Campo Maior que diz que o suplicante frei Francisco era irmão inteiro de D. Aldonça, mãe do comissário do santo ofício Martinho Afonso Mexia. Consultada a habilitação para o santo ofício do referido comissário e confrontados os dados das duas habilitações verifica-se haver da parte do referido vigário um erro neste parentesco. No entanto esta nota é interessante pelo facto de comprovar que era conhecido existir parentesco e muito próximo entre frei Francisco Mexia Fouto e o comissário Martinho Afonso Mexia. Esse parentesco no entanto não viria pela mãe de Martinho Afonso Mexia, Aldonça de Almeida, natural de Alter do Chão, mas sim por seu marido e pai do referido Martinho, João Centeno Mexia, natural de Campo Maior e fidalgo da Casa Real, referido por António Luiz de T. C. Pestana de Vasconcellos – op. cit., fls. 430.

4.5.4. Isabel, baptizada a 8.4.1622 em Campo Maior, tendo por padrinho Pedro Sequeira.

4.5.5. Leonor, baptizada a 1.12.1624 em Campo Maior, tendo por padrinho João Romão.

4.5.6. António Mexia Fouto, foi morador e rico lavrador em Campo Maior (TT – IE, 7651, 9205, 8328, 9287) por volta de 1615. Casou a 1ª vez a 24.2.1647 em Campo Maior sendo testemunhas Francisco de Figueiroa e Gomes Afonso com Beatriz Fernandes (a), daí natural. Casou 2ª vez com Maria Lourenço (b) (TT – IE, 7651, 9205, 8328, 9287).

4.5.6.1. (a) Francisco, baptizado a 25.4.1649 em Campo Maior, tendo por padrinhos o mestre de campo Pedro Jacques de Magalhães e Isabel Rodrigues.

4.5.6.2. (a) Pedro, baptizado a 22.8.1651 em Campo Maior, tendo por padrinhos André Mexia Fouto (referido pelo Dr. António Pestana de Vasconcellos, op. cit., fl. 437 e por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 59) e Maria Couto.

4.5.6.3. (a) Manuel Mexia Fouto, baptizado a 1.2.1654 em Campo Maior tendo por padrinhos Francisco Mexia e Catarina Fernandes. Foi morador em Campo Maior e na sua herdade do Santeiro, que teve por sua mulher, onde foi lavrador e criador de gado. Cronologicamente parece ser o mesmo que a 13.1.1713 tem alvará para poder aproveitar as sobras das águas da fonte existente no sítio do terreiro das estalagens (TT – chanc. de D. João V, L.6 fl.502v.) Casou a 22.1.1673 em Campo Maior (sendo testemunhas Pedro Vivas Centeno e João Mexia) com Maria Álvares de Almeida, nascida em Fronteira, termo de Elvas, que foi morar para Campo Maior com apenas 5 anos de idade, senhora herdeira da herdade do Santeiro, filha de Manuel Fernandes, chamado «o Santeiro», natural de Fronteira, onde morreu antes de 1689, e de sua mulher Maria Álvares, da mesma vila, que em 1739 vivia viúva há mais de 50 anos em Campo Maior, senhores da herdade do Santeiro, onde foram moradores (BPADEV – IG dos filhos).

4.5.6.3.1. Beatriz, baptizada a 6.10.1680 em Campo Maior tendo por padrinhos seu parente João Pereira Galvão e Ana de Sousa, filha de Ambrósio de Sousa.

4.5.6.3.2. Manuel Mexia Fouto, baptizado a 20.4.1682 em Campo Maior tendo por padrinhos seu parente o capitão João Pereira Mexia, e Ana de Sousa Galvão, ambos referidos adiante. Foi freire conventual professo na ordem de São Bento de Aviz e prior de Santo André de Estremoz, onde foi morador, comissário do santo ofício por carta de 9.4.1720 (TT – HSO, Manuel m.262 d.1787).  É certamente o mesmo que foi cavaleiro professo na ordem de Cristo de que recebe alvará de profissão a 29.4.1738 e carta de hábito na mesma data (TT – chanc. OC, L.209 fls.409v. e fl.428). Surge na matriz de Campo Maior a 27.12.1718 e na igreja de Santo André de Estremoz a 24.9.1725 a apadrinhar seus sobrinhos João Baptista e Manuel referidos adiante.

4.5.6.3.3. António Mexia Fouto, casou com sua parente em 3º grau Maria da Conceição do Couto Mexia, filha de João Baptista Durão Mexia e de sua mulher Maria do Couto, e referida adiante no nº 8, onde segue a sua descendência.

4.5.7. Maria Mexia, baptizada a 1.8.1627 em Campo Maior tendo por padrinhos João Gonçalves e Maria Fernandes. Casou com […], lavrador, moradores num Monte junto a Campo Maior (TT – IE, nº 7651, 9205, 8328, 9287).

4.5.8. Maria Fernandes, baptizada a 19.11.1629 em Campo Maior, tendo por padrinhos o licenciado Pedro Afonso Galvão e Mécia Gonçalves. Casou em Campo Maior com Gomes Afonso, «cristão-velho» lavrador (TT – IE, nº 7651, 9205, 8328, 9287).

4.5.9. Francisco Mexia, já falecido em 1664. Casou com Maria do Couto, «cristã-velha» (TT – IE, nº 7651, 9205, 8328, 9287).

4.5.9.1. Francisco, baptizado nesta vila a 22.4.1646, tendo por padrinho o capitão Luís Gomes Pereira.

4.5.9.2. Maria do Couto. A sua filiação é deduzida do parentesco em 3º grau canónico que tinha com o seu marido. Casou com João Baptista Durão Mexia, filho de Maria da Conceição Mexia e de seu marido Manuel Durão Mexia, e referido no nº 7, onde segue a sua descendência.

 

5. Jorge Fernandes Fouto, nasceu por volta de 1585 em Ouguela, Campo Maior. Estudou da universidade de Évora onde se licenciou em artes, e seguiu a vida eclesiástica tendo sido prior da igreja de Mouronhe, lugar da comarca de Arganil, Tábua, onde conheceu a mulher que viria a ser a mãe da sua filha. Renunciou mais tarde a igreja de Mouronhe e voltou a Campo Maior com a sua “amiga”, onde viveu e foi vigário da vara desta vila, bem como em Ouguela onde foi proprietário (TT – Leitura de Bacharéis – Letra F m.1 d.51). Teve de Catarina Gonçalves, nascida em Vacarias, Arganil, sua ama, «descendente de boa gente e lavradores honrados dos melhores da terra» que foi viver para Ouguela, Campo Maior, onde teve vários bens, nomeadamente a herdade do Zambujeiro, a horta do Paúl e a vinha do Sombreireiro em Ouguela, que seu neto Francisco Durão Mexia levou por dote eclesiástico (TT – Leitura de Bacharéis – Letra F m.1 d.51 e BPADEV – IG – 724 m.21).

5.1. Maria da Conceição Mexia, com quem se continua.

 

6. Maria da Conceição Mexia, nasceu cerca de 1635 em Campo Maior e morreu cerca de 1663 tendo a segunda mulher de seu marido lhe criado o filho mais novo. Sucedeu nos bens da sua mãe, nomeadamente na herdade do Zambujeiro, horta do Paúl e vinha do Sombreireiro em Ouguela com os quais seu filho Francisco veio a ser dotado em dote eclesiástico (BPADEV – IG – 724 m.21). Casou com Manuel Durão Mexia, nascido cerca de 1635 em Campo Maior, médico do partido da Casa de Bragança em 1697 e depois do hospital da Misericórdia, cavaleiro da ordem de Cristo com carta de cavaleiro, de hábito e alvará para professar de 16.9.1685 com o padrão de 12$000 reis de tença em vida com o hábito pagos em um dos almoxarifados do reino a 26.5.1684 (TT – chanc. da OC, L.66 fls.37v. e 38, e L.58 fl. 321, onde surge extensivamente com o apelido Durão Mexia): foi morador com sua mulher na rua de Santo António em Vila Viçosa. Era filho de Francisco Durão, que surge em 1664 em Campo Maior como testemunha num processo da inquisição de Évora (TT – IE – 9287, Manuel Mexia) e de sua mulher Joana Moreno, ambos de Campo Maior (TT – Leitura de Bacharéis – L.F m.1 d.51). Manuel Durão depois de viúvo casou segunda vez com D. Leonor de Sande Côrte-Real falecida com testamento aberto a 10.10.1705, no qual herda seu enteado Francisco, referido abaixo, numa horta que tinha em Moura por tê-lo criado (filha de Francisco de Abreu Coelho, moço fidalgo da Casa de Bragança, capitão da guarda dos arqueiros, comendador de S. Lourenço, bispado de Miranda e de S. Tomé de Monsaraz por carta de D. Filipe II em Vila Viçosa a 6.4.1663, e de sua mulher D. Antónia Maria de Sande dama da duquesa de Bragança D. Ana Velasco, mulher do duque D. Teodósio II e pais do Rei D. João IV). Felgueiras Gayo em título de Sandes, § 24 diz que este casamento foi por amores cujo facto ia custando a vida a Manuel Durão que foi salvo por um decreto do Rei D. João IV intimando seu cunhado António de Abreu de Góis, fidalgo da Casa Real e comendador de S. Romão de Monsaraz, mas não verifiquei o referido documento.

6.1. João Baptista Durão Mexia, com quem se continua.

6.2. Francisco Durão Mexia, nasceu em Vila Viçosa e foi baptizado a 18.6.1663 em Campo Maior tendo por padrinhos João Centeno Mexia e Joana do Rego Carrasca. Habilitado com ordens menores em 1678 e ordens de evangelho (BPADEV – IG, 724 m.21), bacharel formado em direito canónico pela universidade de Coimbra (TT – Leitura de Bacharéis, L.F m.1 d.51), desembargador da Casa da Suplicação, corregedor da comarca de Évora por carta de 15.10.1707 por 3 anos e desembargador extravagante da Casa e Relação do Porto por carta de 3.1.1716 (TT – RGM, D. João V L.2 fl.83v.) não chegou a ser ordenado apesar de seus Pais o terem dotado para esse efeito em 1684. Casou com Bárbara Maria de Perada.

6.2.1. Francisco Durão Mexia. Casou com Feliciana Maria Tavares, filha de Manuel Diniz, do Crato, e de sua mulher Mécia Caetana de Mação.

6.2.1.1. António José Durão Mexia, nasceu na vila do Crato e foi baptizado na igreja matriz a 7.4.1740 tendo por padrinhos Manuel Venceslau Cardoso de Brito e D. Francisca Teresa de Sousa Castro Ataíde, mulher de Diogo Caldeira de Abreu. Em 1795 declara ter 50 anos de idade pouco mais ou menos, quando obtém uma certidão negativa a 16.9 do mesmo ano (TT – RC, L.1 fl.6v.).

 

7. João Baptista Durão Mexia, nasceu cerca de 1655 provavelmente em Vila Viçosa onde nasceu seu irmão e onde seus pais viveram. Era o mais velho dos dois irmãos e com uma diferença de alguns anos para o irmão pois sua madrasta testou a favor de seu irmão por tê-lo criado, o que presume uma ligação maternal muito forte, e não o refere no seu testamento. Casou cerca de 1685, provavelmente em Campo Maior, com Maria do Couto, nascida por volta de 1660 filha provável de Francisco Mexia e de sua mulher Maria do Couto referidos acima, filiação essa que justificaria o 3º grau de parentesco canónico de sua filha Maria da Conceição do Couto Mexia com o marido António Mexia Fouto. Surgem nos paroquiais de Campo Maior pelo menos dois irmãos filhos de outro Francisco Mexia e de sua mulher Maria do Couto, cuja ligação a esta Maria do Couto desconheço mas que deverão ser da mesma família embora de geração diferente, a saber: Tomé, baptizado a 26.12.1620, tendo por padrinho Brás Rodrigues Mexia, e Leonor, baptizada a 3.7.1622, tendo por padrinhos o padre Pedro Afonso Galvão e Maria Cordeiro. Surge ainda em Campo Maior um outro Tomé do Couto, advogado nesta vila, casado com Maria Vicente, «cristã-velha», de quem não teve descendência, e que é referido a propósito de três processos da Inquisição de Évora. Apesar das semelhanças e repetições de nomes, os dois Tomé e as duas Maria do Couto não se tratam da mesma pessoa. Os referidos processos informam a dedução genealógica que segue em «Couto, de Campo Maior, uma Família de cristãos-novos», em http://luissoveral.com.sapo.pt/Couto.html.

7.1. Maria da Conceição do Couto Mexia, com quem se continua.

 

8. Maria da Conceição do Couto Mexia, baptizada a 18.5.1686 em Campo Maior tendo por padrinho Afonso Lopes. Casou a 2.3.1710 na mesma vila com seu parente em 3º grau de consanguinidade, para o que foram dispensados por uma bula de Sua Santidade, António Mexia Fouto, baptizado a 19.4.1686 em Campo Maior tendo por padrinhos seu parente João Mexia Fouto, e Ana da Conceição, que no assento de casamento de seu filho Domingos surge com o nome de António Mexia Vicente Montes. Foram testemunhas do casamento frei Francisco Mexia Fouto, referido atrás, António Pessanha de Castro e Isabel Cordeiro. Foi herdeiro da herdade do Santeiro onde foi lavrador, teve a vinha do Caleijão, no termo de Ouguela, e foi também morador com sua mulher em Estremoz (BPADEV – IG – OE, de 1735). Era filho de Manuel Mexia Fouto e de sua mulher Maria Álvares de Almeida referidos acima. Na habilitação para o santo ofício de seu filho Manuel, Maria da Conceição e António Mexia Fouto, são dados como sendo tios de Gaspar Baptista, comissário do santo ofício mas cuja habilitação não encontrei, nem o respectivo assento de baptismo.

8.1. Domingos Vicente Mendes Mexia, com quem se continua.

8.2. João Baptista Durão Mexia Fouto, baptizado a 25.12.1718 em Campo Maior, em casa, e a 27 na igreja paroquial, tendo por padrinhos seu tio frei dr. Manuel Mexia Fouto, e Maria das Neves. Licenciado em Teologia pela universidade de Coimbra e mestre em Artes pela universidade de Évora, padre (BPADEV – IG – OE, de 1735), e reitor da igreja de Antas dos Remédios, em Paredes da Beira, bispado de Lamego, e cónego magistral da Sé de Évora, foi comissário do santo ofício por carta de 27.8.1746 (TT – HSO – João m. 86 d.1501). Foi para Estremoz ainda muito pequeno junto com seus Pais, seu irmão António e uma irmã donzela para a casa e companhia de seu tio e padrinho frei dr. Manuel Mexia Fouto. De Estremoz passou a Évora onde frequentou o Real Colégio da Purificação e depois passou à universidade. Ordenou-se em 1739 levando como dote para património eclesiástico a Vinha do Caleijão, no termo de Ouguela (BPADEV – IG – OE, de 1735).

8.3. António Baptista Durão Mexia Fouto, baptizado a 21.12.1718 (?) em Santo André de Estremoz, na igreja onde era pároco seu tio frei dr. Manuel Mexia Fouto. Professou com o nome de frei António da Anunciada. Licenciou-se em teologia na universidade de Évora e foi reverendo padre mestre doutor e reitor de São Paulo de Évora, freire da ordem dos Eremitas de São Paulo e familiar do santo ofício (TT – HSO, António m.52 d.1143). Deslocava-se várias vezes a Campo Maior onde ficava hospedado em casa de sua parente (parece que tia materna) Catarina Moreno (BPADEV – IG, OE, de 1735). É ainda referido na habilitação para o santo ofício de seu irmão Manuel.

8.4. Manuel, deve ter morrido criança visto o assento de baptismo de seu irmão Manuel dizer  expressamente que era o 2º do nome.

8.5. Manuel Mexia Fouto Durão e Couto, nasceu a 17.9.1725 em Estremoz onde foi baptizado a 24 tendo por padrinhos o reverendo doutor António da Cruz Ferreira, chantre da Sé de Coimbra e seu tio o padre frei Manuel Mexia Fouto. Formado em canônes na universidade de Coimbra, e em leis, familiar do santo ofício (TT – HSO, Manuel m.175 d.1862), foi morador em Campo Maior, depois de o ter sido em Paredes da Beira, em casa de seu irmão João Baptista. Casou com sua prima Ana Pereira de Sequeira, baptizada a 19.9.1715 em Campo Maior tendo por padrinho seu parente Diogo Mexia Galvão, filha de Fernando do Rego Pereira Galvão Mexia e de sua mulher e prima Catarina Vaz de Sequeira.

8.5.1. António Mexia Fouto Galvão Pereira, formado em canônes, foi fidalgo da cota d’Armas a 5.10.1770 – escudo esquartelado: 1º Mexia, 2º Galvão, 3º Pereira, 4º Sequeira.

8.5.2. Fernão do Rêgo, com ordens de diácono em 1794.

8.5.3. João Baptista Mexia Fouto Galvão, nasceu a 9.3.1758 em Campo Maior e foi baptizado a 19 pelo tio frei António da Anunciada, sendo padrinho o tio padre doutor João Baptista. Licenciado em Leis, habilitado ao Serviço de Sua Majestade a 12.7.1786 (TT – Leitura de Bacharéis – Letra J m.56 n.21) e cavaleiro da ordem de Cristo a 16.6.1777 (TT – chanc. da ordem de Cristo m.53 n.18) com carta de padrão tença e hábito de 8.3.1766 (TT – RGM, D. José I, L.19 fl.541), juiz de fora de Mourão em 15.7.1790 (TT – RGM, D. Maria I, L.25 fl.333).

8.5.4. Maria Mexia Fouto Galvão, casada com António Ferreira da Câmara, filho primogénito e herdeiro de José Galvão da Câmara, sargento-mor das ordenanças de Évora, de acordo com Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 91.

 

9. Domingos Vicente Mendes Mexia, nasceu cerca de 1711 em Campo Maior onde foi morador. Casou a 11.3.1730 em Campo Maior com Ana da Conceição Martins, aí baptizada a 25.12.1711, tendo por padrinhos Afonso Pires e Catarina Vaz, filha de Bento Lopes Lobo, aí baptizado a 23.7.1673, soldado da esquadra de cavalaria de Campo Maior, e de sua mulher Maria Gomes, de Ouguela; neta paterna de Avô incógnito e de Catarina Mendes de Matos, de Campo Maior; e neta materna de João Martins e de sua mulher Ana Martins. Catarina Mendes de Matos ou de Matos Ferreira, nasceu cerca de 1653 e foi depois casada com Manuel Mendes Mexia, fidalgo da Casa Real, senhor de um morgadio em Olivença, capitão de couraças e familiar do santo ofício por carta de 27.4.1697, de quem teve descendência. Era filha de Mateus Rodrigues de Matos, senhor do morgadio de Rã e 1º morgado da herdade da Fonte da Silva, e de sua 3ª mulher Isabel Caldeira Lobo, com quem casou a 2.1.1643; neta paterna de Rui Mendes de Matos e de sua mulher Maria Mendes Justo; e neta materna de Vasco Coelho Lobo, morgado de Vasco Coelho, meirinho e almotacé perpétuo de Olivença, e de sua mulher Catarina Mendes Ferreira.

9.1. Joana Teresa Pereira, com quem se continua.

 

10. Joana Teresa Pereira, nasceu em Campo Maior. Casou na mesma vila a 1.6.1760 com Luís Vaz aí nascido e baptizado, filho de Manuel Dias, de Portalegre e de sua mulher, casados na mesma vila a 3.8.1729, Ana Gonçalves, de Campo Maior; neto paterno de Manuel Dias e de sua mulher Margarida Gonçalves, ambos de Portalegre; e neto materno de Simão Vaz, de Nisa, e de sua mulher Isabel Gonçalves, de Campo Maior.

10.1. Maria da Conceição Vaz, com quem se continua.

 

11. Maria da Conceição Vaz, nasceu cerca de 1763 em Campo Maior. Casou a 4.10.1788 nesta vila com António Mexia Pereira, baptizado entre 25.4.1737 e 22.2.1754 em Campo Maior (datas entre as quais faltam os registos de baptismo), filho de Alberto Pereira e de sua mulher, casados em Campo Maior a 11.2.1733,  Domingas Pereira e Mexia de Morais, baptizada a 28.2.1714 em Campo Maior, e referido adiante.

11.1. Francisco Pereira e Vaz, com quem se continua.

 

12. Francisco Pereira e Vaz, nasceu a 18.7.1782 em Campo Maior. Casou a 13.1.1822 na Sé de Badajoz, Espanha, com Juana Cecília Ballestero y Martinez, aí nascida, filha de Gregório Cecílio Ballestero e de sua mulher, casados a 15.8.1793 na Sé de Badajoz, Juana Manuela Martin, ambos daí naturais; neta paterna de Juan Ballestero e de sua mulher Maria Moreno, ambos naturais da Sé de Badajoz; e neta materna de Juan Josef Martin e de sua mulher Maria Manuela Martin, também naturais da Sé de Badajoz.

12.1. Maria Josefa Regina Pereira Ballestero, com quem se continua.

 

13. Maria Josefa Regina Pereira Ballestero, nasceu cerca de 1840 na freguesia da Sé de Badajoz, Espanha. Casou a 31.10.1875 na freguesia de S. Mamede de Évora com José Maria Marques, nascido a 15.6.1834 em Elvas, músico, filho de José Marques, nascido em Molelos, Tondela, e de sua mulher Ana de Jesus, nascida na freguesia de Santo Ildefonso, Porto; neto paterno de João Francisco e de sua mulher Maria Marques, de Molelos. Vide Luís Soveral Varella – A Família Arêde Soveral em «Raízes & Memórias» , nº 14, nota 98.

13.1. D. Felícia Paula Pereira Marques, com quem se continua.

13.2. D. Vitória Marques. Casou com […] Meireles, oficial do exército.

13.2.1. Domingos Marques, famoso cantor lírico.

13.3. D. Josefa Marques.

 

14. D. Felícia Paula Pereira Marques, nasceu a 26.1.1860 em Estremoz e morreu a 29.8.1923 em Lisboa. Casou a 21.4.1875 em Beja, S. Salvador, com João Baptista de Arêde Soveral, nascido a 24.6.1844 em Santarém, Marvila e falecido a 2.9.1908 em Lisboa, Lapa, em sua casa na rua de Buenos Aires, 23, capitão do exército, posto em que foi reformado, graduado em coronel, governador militar da província do Bié, Angola, fidalgo cavaleiro da Casa Real (Rei D. Carlos I) e cavaleiro da ordem de São Bento de Aviz (11.6.1904). Foi também morador em Beja e em Setúbal na quinta dos Comediantes. Era filho sucessor e herdeiro do juiz doutor Bernardino Passos de Arêde Soveral Tavares, 8º e último morgado da Mourisca do Vouga, Aguieira, e último morgado de Lourizela e administrador da capela do Bom Jesus, senhor do prazo de Arrudel, etc., administrador do concelho e presidente da câmara municipal de Rio Maior, e de sua mulher e prima co-irmã D. Maria Bernardina Dias Brandão. Com descendência que segue em «A Família Arêde Soveral» em «Raízes e Memórias», nº 13.

 

 

MEXIA DE MENDONÇA

 

Outro ramo é o dos Mexia de Mendonça, descendentes do casamento de Isabel Lourenço Mexia com Manuel Álvares Sória, a qual, nascida por volta de 1575 deveria ser descendente, e pela cronologia, neta, de João Lourenço Mexia, do ramo de Olivença, e de sua mulher Beatriz Vaz Miguéis, e que Felgueiras Gayo, no seu título de Mexias, § 74, trata. Pelo patronímico usado por Isabel Lourenço Mexia, poderia ser filha de um filho do casal referido, Lourenço Mexia, e de sua mulher Leonor Mendes Justo de Abregão, irmã do padre João Domingos Justo, fidalgo capelão da Casa Real e instituidor de dois morgadios a 23.6.1642, os quais, sendo devotos de São Francisco, deram em 1594 ao convento dos religiosos desta ordem em Olivença muitos bens com que eles fundaram a igreja, sendo depois sepultados no cruzeiro da dita igreja.

 

1. Isabel Lourenço Mexia, nasceu cerca de 1575 e foi moradora em Campo Maior. Casou com Manuel Álvares Sória, (TT – IL, 5722, Afonso Mexia de Mendonça).

1.1. Joana do Rego de Mendonça, nasceu cerca de 1600 e viveu em Campo Maior. Casou com Rui Cacela de Mendonça, nascido cerca de 1590 e morador em Campo Maior, onde exerceu o cargo de escrivão das sisas (TT – chanc. de Filipe III, L.18 fl.150v.), filho de Pedro Rodrigues Cacela (provavelmente filho secundogénito por ter tido o nome do avô materno, situação comum na época e particularmente nesta Família), e de sua mulher Maria do Rego naturais e moradores nesta vila (TT – IL, 5722); neto paterno de João do Rego e de sua mulher Maria Rodrigues Cacela; bisneto por esta sua avó de outro Pedro Rodrigues Cacela, escudeiro (TT – IE, 4223, Leonor Rodrigues Cacela, e TT – IE, 7928, Catarina Rodrigues Cacela)[5] e escrivão da alfândega dos panos de Campo Maior (TT – Chanc. de D. João III L.47 fl.147v), e de sua primeira mulher; e trisneto de Rodrigo Anes e de sua mulher Leonor Fernandes Cacela, todos de Campo Maior (TT – IE, 4223, Leonor Rodrigues Cacela, e IE, 7928, Catarina Rodrigues Cacela), filha de Estêvão Cacela, cavaleiro de Arzila, falecido em 1508 ou 1509, e de sua mulher Maior Fernandes, que vivia viúva a 25.51509 quando passa procuração para receber do almoxarifado de Arzila a quantia que era devida ao seu marido do ano de 1508 (TT – CC, p.2 m.17 d.103).

1.1.1. Afonso Mexia de Mendonça, nasceu em Campo Maior por volta de 1629 declarando a 10.12.1671 perante o tribunal da inquisição de Lisboa ter 42 anos de idade. Foi escudeiro fidalgo e cavaleiro fidalgo da Casa Real com 1$300 réis de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia com a obrigação de ir à Índia onde foi armado cavaleiro, pelos serviços prestados nas fronteiras do Alentejo como soldado e alferes desde 1641 a 1656 a 18.3.1657, cavaleiro professo na ordem de Cristo (TT – LMMCR, fl.273) e capitão de infantaria, e era morador em 1671 na cidade da Baía, Brasil. Foi julgado pelo tribunal da inquisição de Évora por bigamia (TT – IL, 5722), alegando que tendo ido para o Brasil tinha tido conhecimento por meio de outrem que sua mulher tinha morrido, decidindo por lá ficar e voltar a casar segunda vez. Casou duas vezes: a 1ª em Campo Maior por volta de 1656 já que em 1671 declara ter casado a 1ª vez mais ou menos 15 anos antes, Com Francisca Rodrigues, já viúva de Domingos Vieira, alfaiate, (irmã de Inês Ferreira que surge como 6ª testemunha neste processo), filha de Francisco Rodrigues e de sua mulher Margarida Subtil que, sabendo que seu marido tinha casado segunda vez foi viver para a freguesia de Alcáçovas com seu filho do primeiro casamento o padre Manuel Vieira. Sem descendência. Casou 2ª vez no Brasil.

1.1.2. Manuel Álvares Sória, nasceu em Campo Maior depois de 1629 por ser o varão secundogénito já que teve o mesmo nome de seu avô materno. Foi escudeiro fidalgo e cavaleiro fidalgo da Casa Real a 23.3.1643, com 800 réis de moradia por mês a um alqueire de cevada por dia com a condição de ir à Índia para ser armado cavaleiro (TT – LMMCR, fl.28v.).

1.1.3. Catarina Vaz de Mendonça, cuja filiação está ainda por documentar, nasceu em Campo Maior por volta de 1625. Casou três vezes: a 1ª antes de 1651 em Campo Maior com Manuel Belo de Ludeu ou [de Luden] (a), meirinho do eclesiástico em Portalegre; casou 2ª vez com João Rebocho de Melo (b), capitão; e casou 3ª vez 17.5.1676 em Campo Maior com Lourenço Lopes Pereira (c), já viúvo de Maria Lopes.

1.1.3.1. (a) Maria, baptizada a 16.5.1651 na Sé de Portalegre tendo por padrinhos Pedro de Sousa (Tavares ou de Lacerda).

1.1.3.2. (a) Leonor Aires de Mendonça, baptizada a 15.4.1652 na Sé de Portalegre tendo por padrinhos o doutor Matias Vicente da Vide, deão da Sé de Portalegre e Beatriz Mexia. Casou a 5.3.1670 em Campo Maior, sendo testemunhas o sargento-mor de ordenanças de Campo Maior Fernão Rodrigues Soares (referido por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 34), e o capitão João Rebocho de Melo, seu padrasto, com Domingos Vaz Mexia, (que depois de viúvo voltou a casar com Maria Vicente Carrasco filha de Afonso Carrasco Mexia e de sua mulher Catarina Vaz de Sequeira, acima referidos), filho de Diogo Fernandes Mexia e de sua mulher Maria Pereira de Sequeira, casados a 11.2.1641 em Campo Maior. Maria Pereira de Sequeira nasceu cerca de 1625, era irmã de Fernão Pereira de Morais (casado com Maria Vicente Cotão de Sequeira) e ambos filhos de António de Morais Pereira, nascido cerca de 1600, fidalgo da Casa Real e de sua mulher D. Isabel Pereira de Sequeira, nascida por volta de 1605; neta paterna de Fernão Pereira de Morais, nascido por volta de 1570, fidalgo da Casa Real; e bisneta por varonia de Gonçalo de Morais, nascido por volta de 1540, e de sua mulher D. Branca Dias de Sequeira.

1.1.3.2.1. Maria Mexia de Mendonça, nasceu cerca de 1675 em Campo Maior. Casou na mesma vila a a 3.2.1703 com Domingos Pereira de Morais, nascido cerca de 1668, filho de António Fernandes de Morais, nascido cerca de 1640, e de sua mulher Maria Mexia, casados a 23.1.1667 em Campo Maior, matriz, sendo testemunha João Centeno de Mexia; neto paterno de António Morais e de sua mulher Leonor d’Eça, nascidos respectivamente por volta de 1610 e de 1615. António de Morais era talvez descendente de Fernão Pereira de Morais e de sua mulher Catarina Mexia, de quem foi descendente Fernão de Morais Pereira morador em Campo Maior e referido por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 29.

1.1.3.2.1.1. Domingas Pereira e Mexia de Morais, baptizada a 28.2.1714 em Campo Maior. Casou 11.2.1733 na mesma vila com Alberto Pereira, aí nascido cerca de 1688 em Campo Maior, filho de António Pereira Moacho, «moço pardo», nascido em Campo Maior por volta de 1633 que surge em 1664 a testemunhar num processo da inquisição de Évora (TT – IE, 8328, Francisco Mexia)  e de sua segunda mulher (casados a 22.10.1673 em Campo Maior, matriz, sendo ele já viúvo de Maria Centeno com quem tinha casado a 7.10.1668 na mesma vila) Maria Mexia. Maria Mexia era filha de Manuel Pires e de sua mulher (casados a 16.3.1643 em Campo Maior, matriz, sendo testemunha o capitão João Centeno) Inês Pegado (já viúva de Manuel do Rego com quem tinha casado a 29.4.1640 na mesma vila, sendo testemunhas André de Azevedo e Vasconcelos e Diogo de Ataíde), que devia ser descendente (talvez bisneta) de António Mexia e de sua mulher Beatriz Pegado, referidos por Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 42.

1.1.3.2.1.1.1. António Mexia Pereira, baptizado entre 25.4.1737 e 22.2.1754 em Campo Maior (datas entre as quais faltam os registos de baptismo). Casou a 4.10.1788 nesta vila com Maria da Conceição Vaz, aí nascida, filha de Joana Teresa Pereira e de seu marido Luís Vaz, acima referidos acima, onde segue a sua descendência.

1.1.3.3. (a) Guiomar.

1.1.3.4. (a) Maria, baptizada a 8.3.1655 na mesma freguesia tendo por padrinho o dr. Matias Vicente da Vide, deão da Sé de Portalegre.

1.1.3.5. (a) Maria Mexia, baptizada a 17.1.1660 na mesma freguesia tendo por padrinhos Francisco Picanço Cabral e sua mulher Catarina Godinho. Casou com Manuel Dias Borralho, com descendência. Deste casal é 8º neto Nuno Gonçalo Pereira Borrego.

1.2. Gaspar Álvares Sória, viva em Campo Maior por volta de 1629 quando apadrinha no baptismo seu sobrinho Afonso Mexia de Mendonça (TT – IL, 5722). Casou com Inês Curvo de Oliveira.

1.2.1 Maria Curvo de Oliveira. Casou a 28.10.1685 em Arronches, matriz, com Lourenço Carrasco Mexia (já viúvo de Antónia Mendes da Fonseca, filha de Lourenço Carrasco Vicente, capitão de infantaria), capitão de ordenanças de Campo Maior, onde exerceu cargos da governança e foi provedor da misericórdia, filho de João Centeno Ceia e de sua mulher Catarina Vaz Mexia.


[1] Dos referidos 4 processos deduz-se a seguinte genealogia deste ramo Mexia bem como de um ramo Aguilar, também de Campo Maior.

1. Afonso de Aguilar, , ½ cristão-novo, morador em Campo Maior. Casou com Maria Fernandes, ½ cristã-nova.

1.1. Pedro Vaz de Aguilar, com quem se continua.

2. Pedro Vaz de Aguilar, alcaide e lavrador, viveu de suas fazendas e tinha parte de sangue de cristão-novo. Casou com Isabel Nunes ou Mendes «a chaveira», cristã-velha.

2.1. Afonso de Aguilar, já falecido em 1664, trabalhador. Casou em Campo Maior com Francisca Mexia.

2.1.1. Pedro Vaz de Aguilar, nasceu cerca de 1634 vivendo solteiro em Campo Maior em 1664 com 30 anos de idade. Era Soldado de cavalo da companhia de José Pessanha.

2.1.2. João, nasceu cerca de 1649 e vivia solteiro com 15 anos em Campo Maior em 1664.

2.1.3. outros filhos já falecidos em 1664.

2.2. Francisco Mexia, vivia em 1664 em Castela para onde foi com 10 anos de idade.

2.3. Maria Fernandes de Aguilar, com quem se continua.

3. Maria Fernandes de Aguilar nasceu cerca de 1611 declarando a 24.12.1664 ter 55 anos de idade. Presa nos cárceres da inquisição de Évora acusada de judaísmo. Casou com Diogo Mexia, «o bonito», cristão-velho morador em Campo Maior em 1664, filho de Francisco Mexia e de sua mulher Isabel Fernandes referidos acima.

3.1. Pedro Vaz de Aguilar.

3.2. Francisco Mexia.

3.3. Manuel Mexia.

[2] Felgueiras Gayo, título de Mexia, § 89. Segue o texto de acordo com Felgueiras Gayo. A colocação de reticências entre parêntesis rectos corresponde a texto omitido para este trabalho.

[3] AHCMELV – RP – Campo Maior, Matriz.

[4] AHCMELV – RP – Campo Maior, Matriz.

[5] A partir destes dois processos organiza-se a seguinte reconstituição genealógica referente à Família Cacela de Campo Maior, cuja origem desconheço embora uma das penitenciadas nos processos referidos refira que esse nome lhe vinha de uma alcunha.

1. Rodrigo Anes, nasceu por volta de 1470, foi cristão-velho morador em Campo Maior nos finais do séc. XV e séc. XVI. Casou com Leonor Fernandes Cacela, cristã-velha, nascida cerca de 1478 em Campo Maior, filha de Estêvão Cacela, nascido cerca de 1448 e falecido em 1508 ou 1509 em Arzila, cavaleiro, e de sua mulher Maior Fernandes, que vivia viúva a 25.51509 quando passa procuração para receber do almoxarifado de Arzila a quantia que era devida ao seu marido do ano de 1508. (TT – CC, p.2 m.17 d.103).

1.1. Pedro Rodrigues Cacela, nasceu nos últimos anos do século XV, por volta de 1498 e foi morador em Campo Maior onde foi escudeiro e escrivão da alfândega dos panos desta vila. Casou duas vezes: a 1ª com […] (a); e 2ª vez com Constança Lopes (b) filha de Diogo Lopes (que poderá ser o alcaide de Campo Maior – TT, chanc. de D. Sebastião e D. António, L.44 fl.325) e de sua mulher Catarina Afonso, cristãos-novos naturais e moradores em Campo Maior e já falecidos em 1585.

1.1.1. (a) Maria Rodrigues Cacela, nasceu por volta de 1525 em Campo Maior declarando as sentenciadas, suas meias-irmãs que ela era a primogénita. Casou com João do Rego.

1.1.1.1. […].

1.1.1.2. Pedro Rodrigues Cacela, nasceu cerca de 1550 e foi morador em Campo Maior. Casou com Maria do Rego também desta vila.

1.1.1.2.1. Rui Cacela de Mendonça, que segue no texto no nº 1.1. do § 2º casado com Joana do Rego de Mendonça, com descendência que aí segue.

1.1.2. (b) Rodrigo Anes, nascido cerca de 1525 e vivia em 1585 em Campo Maior com 60 anos de idade como declaram as suas irmãs Leonor e Catarina. Foi escrivão das sisas dos panos de Campo Maior e Ouguela (TT – chanc. de D. João III, L.60 fl.90). Casou com Maria da Paz, cristã-velha ou ½ cristã-velha como declaram cada uma das sentenciadas, natural de Badajoz, Espanha.

1.1.3. (b) Diogo Lopes, nasceu cerca de 1524 e vivia em 1585 em Santarém com cerca de 60 anos de idade e declarando a sua irmã Leonor que não fazia mais de 13 meses de diferença do irmão. Foi Escudeiro e rendeiro em Santarém. Casou nesta cidade com Isabel Henriques, cristã-nova aí moradora, na Ribeira.

1.1.4. (b) Catarina Rodrigues Cacela, nasceu em Campo Maior por volta de 1540, declarando em 1585 ter 45 anos de idade, onde foi baptizada pelo padre Vasco Gonçalves tendo por madrinha sua prima Leonor Rodrigues, e aí foi crismada. Presa nos cárceres da inquisição de Évora a 23.5.1585 acusada de judaísmo e condenada em auto de fé a 2.3.1586 a abjuração pública, cárcere e hábito penitencial perpétuo e instrução religiosa. A 27.3.1589 foi-lhe passado termo de ida para onde lhe aprouvesse. O sumário do seu processo nos índices da Torre do Tombo refere que foi casada com João do Rego mas pela leitura do seu processo verifica-se que quem foi casada com João do Rego foi sua irmã Maria. Casou duas vezes: a 1ª com Fernão Rodrigues, cristão-novo de Coruche, criado do Rei, sem descendência; e a 2ª em 1585 em Santarém com Nicolau de Sousa, cristão-velho, sem descendência à data do processo.

1.1.5. (b) Leonor Rodrigues Cacela, nasceu em Campo Maior por volta de 1540, declarando em 1585 ter 45 anos de idade, onde foi baptizada, segundo declara e lhe parece pelo padre Lourenço do Rego Vasco Gonçalves tendo por madrinha Inês Fernandes, já falecida em 1585, e aí foi crismada pelo bispo D. Gomes. Presa nos cárceres da inquisição de Évora a 23.5.1585 acusada de judaísmo e condenada em auto de fé a 2.3.1586 a cárcere e hábito penitencial e arbítrio saiu em liberdade a 7.5.1586, declarando a sua genealogia a 6.12.1585. O sumário do seu processo nos índices da Torre do Tombo refere que foi casada com João do Rego mas pela leitura do seu processo verifica-se que quem foi casada com João do Rego foi sua irmã Maria. Casou com António Leitão, mercador, cristão-velho morador em Coruche, sem descendência. 

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