Luís Soveral Varella
Genealogia

COUTO

DE CAMPO MAIOR
Uma Família de cristãos-novos

 

A seguinte reconstituição genealógica foi feita a partir de três processos da inquisição de Évora existentes na Torre do Tombo: de Isabel Mexia, 6583; de Maria do Couto, 7383; e de Manuel do Couto, 10076, Manuel do Couto. Resumidamente, os referidos processos informam a seguinte dedução genealógica que vai acrescentada entre parêntesis rectos com as informações complementares que me foi possível recolher.

 

1. Manuel do Couto, cristão-velho, lavrador natural e morador em Campo Maior [onde morreu a 14.9.1623 na matriz]. Casou com Inês Fernandes, ½ cristã-nova, natural e moradora em Campo Maior já falecida em 1664, [filha de Simão Lobo e de sua mulher Gracia Gomes]. Filhos:

1.1. Tomé do Couto, advogado em Campo Maior. Casou com Maria Vicente, cristã-velha, [filha de Gaspar Vicente e de sua mulher Clara Fernandes], sem descendência.

1.2. Pedro do Couto [ou do Rego], lavrador em Campo Maior, já falecido em 1664. Casou com sua sobrinha Joana do Rego, cristã-nova.

1.2.1. João, nascido depois de 1664.

1.2.2. Inês, que morreu quando ainda se alimentava de peito, nascida depois de 1664.

1.3. Julião Lopes, lavrador em Campo Maior, morreu solteiro e sem descendência.

1.4. João do Couto, lavrador em Campo Maior. Casou com Maria Pegado, cristã-velha.

1.4.1. Manuel do Couto [Ribeiro], nasceu cerca de 1611 (a 17.10.1664 declara ter 53 anos), lavrador, solteiro à data, [morreu solteiro]. Preso nos cárceres da Inquisição de Évora a 17.8.1664 acusado de judaísmo, heresia e apostasia.

1.4.2. Joana do Rego. Casou com seu tio Pedro do Couto [ou do Rego], acima, e era viúva em 1664. Era tia de uma Isabel Soares ou Mexia e de uma Maria do Couto.

1.4.3. Inês Pegado [ou Fernandes], já falecida em 1664. Casou em Elvas com João Ribeiro, cristão-velho, escrivão das almotaçarias de Elvas.

1.5. Maria do Couto. Casou [em Campo Maior] com Francisco Pereira, cristão-velho [natural e lavrador em Campo Maior].

1.5.1. João Vaz Pereira, escrivão, nasceu cerca de 1604, sendo morador em Campo Maior em 1664 com 60 anos.

1.5.2. Domingos Pereira, lavrador, nasceu cerca de 1624 já que era solteiro em 1664 e tinha 40 anos.

1.5.3. Maria Pereira, nasceu cerca de 1604, sendo moradora solteira em Campo Maior em 1664 com 60 anos.

1.5.4. Leonor Pereira, nasceu cerca de 1616, sendo moradora solteira em Campo Maior em 1664 com 48 anos.

1.5.5. Inês [Maria] Fernandes, nasceu cerca de 1614, sendo moradora solteira em Campo Maior em 1664 com 50 anos.

[1.5.6. Francisco, frei da Ordem de Santo Agostinho.]

1.6. António Ribeiro [do Couto], com quem se continua.

 

2. António Ribeiro [do Couto], cristão-novo, nasceu em Campo Maior onde foi morador sendo lavrador e já tinha falecido em 1664.  Casou a 1ª vez em 1616 com Ana Vaz [de Sequeira](a), cristã-velha [filha de Tomé Afonso Vicente]. Casou 2ª vez com Joana Mexia (b), nascida em Ouguela, já falecida em 1664, cristã-velha, filha de Afonso Soares, lavrador, [o morgado de Ouguela], e de sua mulher Isabel Mexia, ambos naturais e moradores em Ouguela, cristãos-velhos, e já falecidos em 1664. Joana Mexia era irmã inteira de: Fernão Afonso, lavrador, casado com Maria Gonçalves, moradores em Ouguela, de quem foram filhos Roque Pires, falecido solteiro com cerca de 15 anos de idade e Afonso Soares morador em Ouguela com sua mulher Catarina Soares, lavradores e cristãos-velhos; Maria Mexia já falecida em 1664 e casada com Diogo Mendes, lavrador; e Catarina Gonçalves já falecida em 1664.

2.1. (a) Inês Fernandes, falecida solteira com 25 anos de idade.

2.2. (b) Isabel Mexia, nasceu em Campo Maior cerca de 1632/6, declarando ter 32 anos em 1664 e de quem se diz ter 26 anos em 1662. Teve por padrinhos de baptismo Luís Mexia e sua prima (dela) Joana do Rego, e por padrinho de crisma João Vaz Pereira. Doméstica, sabia ler e escrever. Tinha 1/8 de sangue de cristã-nova tendo por isso sido presa nos cárceres da Inquisição de Évora a 17.8.1664 acusada de judaísmo, heresia e apostasia e condenada em auto de fé a 30.5.1665 a cárcere e hábito penitencial perpétuo, penas e penitências espirituais. A 3.6.1668 foi mandada para a sua terra condenada a não poder de lá sair sem autorização. No seu processo refere-se que era prima de Maria Cordeiro casada com Afonso Margalho, pescador.

2.3. (b) Maria do Couto, nasceu em Campo Maior cerca de 1634, declarando ter 30 anos a 20.10.1664. Presa nos cárceres da Inquisição de Évora acusada de judaísmo, heresia e apostasia por ter ¼ de sangue de cristã-nova. Casou na matriz de Campo Maior [a 9.1.1658] com Vasco Sardinha Galvão, escrivão e tabelião do judicial e notas de Campo Maior por carta de 4.3.1653 [TT – RGM, L.21 fl.344 v], [irmão nobre da Misericórdia de Campo Maior], e ouvidor da vila de Ouguela, filho Pedro Afonso Galvão; neto paterno de Vasco Sardinha Galvão, cavaleiro fidalgo da Casa Real, filho de Pedro de São Martinho Galvão, moço da câmara da infanta D. Maria filha do Rei D. Manuel [AHG – TT – Cart. da Nobreza, L.V fl.172v.). Felgueiras Gayo no título de Mexia § 85 dá este casamento a 9.1.1657 e diz erradamente ser filho de António Vicente Homem.

2.3.1. Pedro Afonso Galvão, nasceu cerca de 1658, declarando-se que tinha 4 anos em 1662 [e foi escrivão em Campo Maior]. De acordo com Felgueiras Gayo no título de Mexia, § 86 foi baptizado a 6.6.1658 e era homem nobre de Campo Maior. Casou com D. Joana Mexia Galvão, sua parente pelo ramo de São Martinho (Família nobre oriunda de Ubeda, Galvão e Rego), irmã do capitão Lourenço Lopes Galvão e filhos de D. Francisca de Sequeira Galvão e de seu marido João Bernardo Pereira [AHG – TT – Cart. da Nobreza, L.V fl.172v.]. De acordo com Felgueiras Gayo foram seus filhos:

2.3.1.1. João Bernardo, que foi para o Brasil, sem mais notícia.

2.3.1.2. Vasco Sardinha Galvão, nasceu em Campo Maior e foi tenente de cavalaria. Casou com D. Clara Maria de Sá, natural de Arronches.

2.3.1.2.1. Pedro Afonso Galvão, nasceu em Campo Maior. Tenente-coronel do regimento de cavalaria de Minas Gerais e fidalgo da cota d’armas [10.2.1797 – escudo com as armas dos Galvão em pleno – AHG – TT – Cart. da Nobreza – L.V fl.172v.]. Com descendência, sem mais notícia.

2.3.1.2.2. Manuel Mexia Galvão, capitão de infantaria. Casou e teve descendência.

2.3.1.2.3. D. Joana casada com Joaquim Garro Tavares, capitão de infantaria, sem descendência.

2.3.1.3. Manuel Mexia, sem estado.

2.3.1.4. D. Mariana.

2.3.1.5. D. Antónia, solteira.

[2.3.2. António, morreu criança].

2.3.3. Antónia, baptizada na matriz de Campo Maior a 10.10.1661, sem do padrinho o mestre campo D. Manuel Lobo e morreu criança.

2.3.4. Bernardo do Rego, nasceu em Campo Maior. Preso e condenado pela Inquisição de Évora em cujo processo se diz ser trabalhador, não saber ler nem escrever. Casou com Francisca Mendes, ½ cristã-nova.

2.3.5. Joana Mexia, casou com Gaspar Fialho, cristão-novo, caçador.

2.3.5.1. Maria.

2.3.5.2. Inês.

2.3.6. D. Antónia Vicente Pereira, casou em Badajoz com João d’Aça Castelo-Branco, nascido em Lisboa e falecido a 4.5.1740 na freguesia de Salvador de Elvas, fidalgo da cota d’armas com carta de brasão para Aças onde provou a sua filiação e ser sobrinho de Frei D. Timóteo, bispo de Maranhão, e parente de D. Manuel d’Aça. Sargento-mor da praça de Elvas e em 20.3.1738 era tenente-coronel do regimento de infantaria do Alentejo. Era filho de João Coelho de Castelo-Branco e de sua mulher D. Doroteia d’Aça; neto paterno de Manuel Coelho de Castelo-Branco e de sua mulher D. Maria de Góis; e neto materno de Sebastião Sepúlveda e de sua mulher D. Catarina de Aça. [Com descendência desenvolvida pelo Jorge Pereira Forjaz em «Famílias da Índia»].

2.4. Catarina Soares, nasceu cerca de 1645, sendo moradora em Campo Maior com 19 anos de idade em 1664.

2.5. Inês Fernandes, nasceu cerca de 1638, sendo moradora em Campo Maior com 24 anos de idade em 1662.

Para enviar informações sobre esta matéria